Resenhas

The Acid – Liminal

Trio aproveita o silêncio em faixas tensas e plenamente agradáveis

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Ano: 2014
Selo: Infectious Music
# Faixas: 11
Estilos: Eletrônica, Eletrônico Experimental, Soul
Duração: 51:20
Nota: 4.0

O silêncio fala alto em Liminal, primeiro álbum do trio The Acid após um EP. Não é exatamente aquilo que vimos em James Blake (uma comparação inevitável já logo na primeira faixa), que utiliza a ausência de som para potencializar os sons, principalmente os graves, de suas melodias e arranjos. Aqui, os intervalos são ásperos, tensos, até roucos. Por conta disso, a maneira com que o compositor Ry X, o produtor Steve Nalepa e o DJ Adam Freeland trabalham a projeção de sua música varia entre preencher o silêncio e driblá-lo.

Se isso não fica tão evidente assim na abertura com Animal (e deve ficar menos ainda em Veda, a seguinte), Creeper, terceira faixa, coloca a questão em pauta sem dificuldades. Ry X canta pertinho do microfone, uma proximidade que até intimida, enquanto as batidas se alternam entre a base e o primeiro plano. Os momentos sem som não são o fundo branco de uma aquarela, eles possuem cores bem determinadas.

A tensão aumenta nas faixas seguintes, principalmente em Tumbling Lights e Ghost, até chegar em Basic Instinct, que faz as vezes de “hit” com Fame, ambas excelentes. A faixa é o clímax do disco, com direito a violão e uma produção que alterna volumes, timbres e ruídos para criar uma ambientação complexa e plenamente agradável.

Após esse auge, o disco encontra seu maior defeito, que é se prolongar por mais três faixas bem menos expressivas (ainda que boas). Se ele acabasse em Red, uma música que completa bem a anterior e levaria a uma conclusão etérea, poderia ser mais interessante do que deixar para o fim as duas faixas com menos identidade de toda a obra, daí esse momento ser um pouco cansativo. Meio que já perdeu a graça até aí.

Mas isso é detalhe. The Acid fez uma obra fascinante, gostosa de deixar tocando e muito interessante de se prestar atenção. E isso ficou ainda mais legal quando você aprende que o Liminal do título se refere ao conceito da psicologia de “o ponto no qual um estímulo é intenso o suficiente para provocar efeito”, o que faz muito sentido quando você ouve o disco.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.