Resenhas

The Bilinda Butchers – HEAVEN

Disco encanta não só pela música, mas pela triste narrativa que conta

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Ano: 2014
Selo: Orchid Tapes
# Faixas: 13
Estilos: Shoegaze, Dream Pop, Nu Gaze
Duração: 44:57
Nota: 4.0

HEAVEN pode até ser o disco estreia de The Bilinda Butchers, mas posso dizer que Michal Palmer, Adam Honingford e Ryan Wansley sabem muito bem o que estão fazendo. Logo em seu primeiro álbum, os três artistas se revelam, além de musicalmente muito consistentes, bons contadores de história. Por mais que o Shoegaze multicolorido da banda chama a atenção, é a narrativa contada neste álbum que rouba os holofotes para si.

A trama se desenrola a partir do diário de Nakajima Ume (apresentada na faixa de abertura, Ume), uma jovem japonesa que viveu durante o século 19. Seu diário documenta seu catastrófico casamento com um nobre, porém cruel, marido. Mais tarde, ela conhece um jovem poeta que a incentiva a fugir de sua atual situação. A amizade de Ume e o poeta é descoberta e ela é levada para um distante vilarejo, onde cai em depressão e descobre que seu amigo morreu. Mesmo ficando devastada por um tempo, a protagonista descobre nova motivação e um sentido para sua vida. O diário de Ume é encerrado com ela dizendo que encontrou uma maneira de encontrar seu amado novamente: o suicídio.

O álbum serve como trilha para a triste história e em diversos momentos faz alusão à cultura japonesa, seja trazendo elementos sonoros (como as melodias tradicionais do país, timbres ou mesmo instrumentos típicos da cultura nipônica), inserções de diálogos em japonês ou ainda com os nomes das faixas, que fazem referência a Era Edo (Edo Method) ou a um rio que passa por Tóquio (The River Sumida). Não é difícil mergulhar na ficcional novela do trio, assim como traçar paralelos e tentar reimaginá-la acontecendo nos dias de hoje (o que é facilitado graças ao som moderno da tríade).

O nome da banda surgiu como uma clara homenagem a Bilinda Butchers (My Bloody Valentine) e, não por acaso, há muito do som da seminal banda por aqui. Porém o Shoegaze não é a única válvula de escape para musicar as histórias do trio, Dream Pop, Nu-Gaze e até mesmo uns beats eletrônicos também desempenham um papel importante em sua musicalidade. O que rende ao álbum momentos bem variados, como algo mais calminho e quase Ambient em Old Style Amami, o que parece ser uma versão mais agressiva de Wild Nothing em Shadow Beat e próximo a Craft Spells em The Lover’s Suicide.

HEAVEN rende uma gama variada de emoções e experiências ao ouvinte, se tornando um disco que vale a pena ser experimentado mesmo por quem não é tão simpático ao Shoegaze. A união de narrativa e musicalidade é realmente e capaz de quebrar alguns preconceitos, seja de quem não gosta de discos conceituais ou de quem não gosta dos gêneros em questão.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts