Resenhas

The Cribs – Night Network

Gravado no Studio 606 e com participação de Lee Ranaldo, oitavo disco do trio britânico segue a “cartilha alternativa” com afinco, mas resultado não é dos mais memoráveis

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Selo: Sonic Blew/PIAS
# Faixas: 12
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 43'
Produção: The Cribs

Ao longo de quase 20 anos de carreira, The Cribs conquistou um lugar de certo respeito, ainda que tímido, entre as bandas do filão Indie Rock/Rock Alternativo de sua época. Sem nenhum grande hit desde “Men’s Needs” (de 2007), o trio britânico é admirado por muitos que sorririam ao ver seu nome no cartaz de um festival, mas é o tipo de banda que dificilmente estaria entre as três favoritas desse mesmo público. Night Network parece, ainda que sem querer, explicar isso.

Suas músicas seguem com afinco toda a cartilha da intersecção entre seus dois estilos, em canções guiadas pela guitarra com a tal da cozinha (nome terrível para a soma de baixo e bateria) se fazendo presente, às vezes tomando o local principal do palco. Elas foram feitas em uma estética atemporal, brincando de se parecer com produções dos últimos 30 ou 40 anos que dificilmente podem ser tidas como próprias de um só período. É uma descrição genérica para um som igualmente sem muita identidade.

Entenda: “Never Thought I’d Feel Again” é dotada de simpatia suficiente para você clicar no repeat antes mesmo dela acabar, mas, assim como “Running Into You” e “I Don’t Know Who I Am”, essas são músicas que já ouvimos diversas vezes com os mesmíssimos maneirismos de um Rock tão diluído que nos faz questionar o uso termo “Alternativo” estar junto a ele (é uma alternativa a o quê exatamente?), como (respectivamente) a melodia que se resolve totalmente antes dos 15 segundos ou o coro no refrão para exaltar alguma melancolia na faixa – e olhe que estamos falando das músicas escolhidas como single antes do álbum, ou seja, as que banda e selo apostaram como as mais chamativas.

A obra tem cara de uma coleção de músicas compostas para ocupar espaço (as famigeradas fillers) e garantir The Cribs nas programações de eventuais festivais nos próximos tempos (apesar de lançado no fim de novembro, o disco foi gravado um ano e meio antes, distante da pandemia). A balada “Goodbye” dá as boas-vindas ao ouvinte (pegou a ironia?) que logo encontra o Rockzinho meio jovem, meio cansado, um tanto saudoso e com um quê blasé que só quem for muito fã do estilo vai se interessar muito.

Mas é esse pessoal que garante o tal status de “banda de respeito” que The Cribs ostenta, ao ponto de ter cacife para chamar Lee Ranaldo para participar de “I Don’t Know Who I Am”, ou mesmo poder contar que gravou Night Network a convite de Dave Grohl em seu Studio 606 em Los Angeles. Ambos são fatos interessantes em uma matéria sobre o disco, só que eles não sustentam a personalidade da obra – adicionada ao infinito do streaming para compor playlists feitas sem muita exigência.

(Night Network em uma faixa: “Running Into You”)

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ARTISTA: The Cribs

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.