Resenhas

The Dandy Warhols – This Machine

Com quase duas décadas de existência, a banda norte-americana abusa de varias influências em seu oitavo disco de estúdio, que traz algumas boas músicas, mas nada que se compare aos seus grandes hits

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Ano: 2012
Selo: The End
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 43:00
Nota: 2.0
Produção: The Dandy Warhols, Jeremy Sherrer

O The Dandy Warhols nunca seguiu um padrão de continuidade em seus álbuns. Dá para notar algumas semelhanças, mas um nunca foi igual ao outro, ou até mesmo uma continuação óbvia do anterior. O que se repete é apenas a inovação e reinvenção em cada um deles.

A banda aprimorou o Stoner Psicodélico em 2000 com o seu terceiro disco, Thirteen Tales from Urban Bohemia, o primeiro deles a atingir sucesso comercial. Foi dele que saiu o que é, até hoje, um dos maiores hits da banda: Bohemian Like You. No álbum seguinte Welcome to the Monkey House, a banda partiu para um som cheio de sintetizadores com uma aura oitentista inegável, e os três próximos álbuns do quarteto continuariam essa metamorfose até chegar a este This Machine. Dá pra notar que eles sempre mudam a cada trabalho, mas mudar nem sempre que dizer melhorar.

O elemento central aqui é a guitarra, que aparece de diversas maneiras durante o trabalho: distorcida, sujinha, melódica, Shoegaze. Com esse grande número de estilos dentro do álbum, ele mais parece uma coleção de músicas que a banda acumulou durante os três anos entre The Dandy Warhols Are Sound até agora do que um álbum fluído como víamos antigamente.

Esse foi descrito pela própria banda como o disco “mais grunge” de sua carreira, porém a única vez em que eles flertam com o estilo, em Sad Vacation, adicionam outros elementos que fogem da proposta crua do gênero. Pra quem gostava de comparar o vocalista Courtney Taylor-Taylor com o Iggy Pop, Enjoy Yourself está aí pra mostrar várias semelhanças vocais entre os dois, mas não em outros aspectos.

Continuando a aleatoriedade de estilos, Alternative Power To The People segue uma linha agressiva com um instrumental muito bem construído e baixo pulsante. Well They’re Gone rouba a vibe do Gorillaz com um quase dub meio estranho. Nessa grande bagunça que se torna o disco, há até um cover de Merle Davis, 16 Tons, que ganha roupagem nova com um saxofone que parece ter sido tirado do movimento Ska Punk dos anos 70.

I Am Free é uma mensagem que a banda quer passar sobre essa sua nova fase: “I’m free, there’s no one tells me what to be” abre a canção que, sem emoção, continua uma ode à liberdade – se era isso o que a banda queria com esse disco, a qualidade musical parece ter ficado em segundo plano. Voltando as raízes do Power Pop, SETI vs. The Wow! Signal é costurada por muito feedback e barulho das guitarras distorcidas.

Uma dobradinha bem estranha fecha o disco: A sombria Don’t Shoot She Cried, em seus quase seis minutos, traz de volta aquele clima psicodélico de 2000, mais parecendo um prelúdio de algo maior que viria a frete, mas Slide fecha o disco sem ter nenhuma conexão com sua antecessora.

Nada de genial, nem de clássico, mas This Machine tem algumas faixas divertidas que valem a pena serem ouvidas. Ouça-as algumas vezes e esqueça este disco. Com uma bagagem tão grande, o oitavo álbum de estúdio da banda poderia ser, pelo menos, mais coeso.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts