Resenhas

The Decemberists – Florasongs EP

Disco surge de sobras de trabalho anterior com mesmas qualidades e defeitos

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Ano: 2015
Selo: Capital Records
# Faixas: 5
Estilos: Pop Rock, Indie Folk
Duração: 18:00
Nota: 3.0
Produção: The Decemberists

O último disco do grupo The Decemberists, What a Terrible World, What a Beautiful World, se mostrou produtivo e o seu processo criativo acabou sendo mais prolífico que o esperado. Isso explica o segundo lançamento da banda norte americana de Portland em menos de um ano – margem pequena para um hiato que já durava outros quatro anos. Se o trabalho do começo do ano mostrava, ao menos na superfície, o retorno às fofurices e simpatia características da carreira da banda, não podemos dizer o mesmo sobre o foco e o conceito por trás daquele disco.

Unido como uma coletânea de boas canções gravadas em um certo período, Beautiful World perdeu-se justamente em suas diversas vozes e diretrizes, apesar de um inevitável bom resultado ao fim. De onde o álbum parou, Florasongs continua. O EP retrata outros retalhos e sobras do disco anterior e nesse sentido, podemos dizer que seguimos as suas mesmas qualidades e defeitos. Ao longo de cinco boas músicas, passamos por um turbilhão de emoções que talvez façam mais sentido quando escutadas na curta duração proposta no relato.

O caracteristico som dos norte-americanos, uma curiosa mistura de Rock oitentista com Folk – um filho híbrido de bandas como R.E.M e Big Star -, retorna com força na abertura Why Would I Know?, faixa super açucarada e romântica que desponta no meio Indie como Pop Rock. Deliciosa e até grudenta, a composição teria tudo para figurar no disco original e faz fãs de bandas como Mumford & Sons se deliciarem após sua partida rumo a diferentes planos musicais. Ao mesmo tempo, faixas acústicas e rústicas, como Riverswim, nos trazem de volta ao som folclórico do país: cheio de baladas, acordes abertos e uma paisagem cheio de campos de colheita. É bem feito e bonito, mas nada que nunca ouvimos por aí.

Nos chamam atenção momentos como Fits & Starts, Rock “blueseiro” que poderia ser um peça perdida do último e ótimo disco do grupo The Men. Ao sair do lugar comum, calminho, das faixas anteriores em direção à desordem, bebedeira e agressividade que encontramos nos bares dos mesmos locais campestres imaginados pela banda, as coisas começama voltar a fazer sentido.

The Harrowed and The Haunted é talvez a grande homenagem em vida do vocalista Colin Meloy a R.E.M. A faixa foi cuidadosamente feita para soar grande, emocionante e extremamente cativante em seus acordes, mostrando-se um belíssimo filho da influente banda, enquanto Stateside soa genérica, apesar de bonita, algo que curiosamente desponta como o maior defeito do EP.

Se a pequena obra mostra os mesmos bons momentos que já ouvimos no começo do ano em What a Terrible World, What a Beautiful World, assim como a mesma diversidade de composições, não podemos dizer o mesmo em relação à sua relevância musical. A falta de foco pode não ser o principal defeito em um disco que dura menos do que 20 minutos, no entanto o que nos questionamos ao fim é se ouviremos novamente o EP ou se iremos nos deparar com alguma de suas faixas em trilhas sonoras publicitárias pelo mundo. Em qualquer uma dessas questões, a resposta pode parecer mais agridoce do que açucarada, algo que soa bastante paradoxal em um relato repleto de doçura. Como complemento, Florasongs é interessante, mas nada além disso.

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BOM PARA QUEM OUVE: Big Star, The Lumineers, R.E.M.
MARCADORES: Indie Folk, Pop Rock

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.