The Dodos – Certainty Waves

Dupla lança sétimo álbum sem grande relevância no cenário atual

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Ano: 2018
Selo: Polyvinyl
# Faixas: 9
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 35:45
Nota: 3.0
Produção: Meric Long

Estou aqui ouvindo este novo disco – o sétimo – da dupla The Dodos. Sabem quando a gente se vê diante de uma obra legal, bem feita, porém fadada à irrelevância? É o caso de Certainty Waves. Me pergunto se não é má vontade e tento encontrar motivos de destaque ao longo das nove faixas. Não consigo.

Veja, não é um álbum ruim. A produção – a cargo do guitarrista/cérebro Meric Long – é bem feita e tem noção do tempo em que vivemos. Ela privilegia os timbres de teclado, que são a grande novidade por aqui. Long passou por perdas familiares e mudou aos poucos a abordagem sonora da dupla, deixando o passado Folk Alternativo para trás e abraçando uma sonoridade que tangencia o Synthpop, mas não o abraça. É ainda muito Rock Alternativo modelo 2018/18, com a presença do baterista Logan Kroeber martelando ritmos marciais e andamentos quebrados aqui e ali.

Onde estaria então a irrelevância que teima em saltar aos ouvidos? As canções são qualquer nota, interessantes mas não tanto. Há uma honrosa exceção no meio do álbum, a bela Center Of, curiosamente a mais enguitarrada e folkster de todo o álbum, com vocais doloridos e anasalados de Long, como quem está sentindo dor física que se transmutou em algum tipo de emoção da qual queremos nos ver livres. É bonito e cumpre sua função. Outra canção, SW3, tem um interessante arranjo que lembra os discos de The Sea And Cake do início dos anos 2000, com guitarras e baterias soando acrílicas e sem alma, porém capazes de revestir lindamente as paisagens sonoras que os vocais de Long vão percorrendo.

As outras faixas se alternam entre esquecíveis e aborrecidas. Excess fica brincando com andamentos de bateria e corre atrás do próprio rabo, enquanto Ono Fashion desperdiça um ótimo título em nome de uma levada de bateria que tenta soar classuda e “nervosa”, mas que acaba estragando o arranjo. Sort Of é uma balada synthpop oitentista perdida no tempo e no espaço, que vê uma boa melodia ser soterrada num arranjo equivocado e supostamente devedor de alguma variante de baixa inspiração do wall of sound spectoriano. Dial Tone encerra os trabalhos com climas hesitantes e chatos.

Seria mais interessante se The Dodos lançassem um belíssimo EP com Center Of e SW3, com versões originais e remixes legais. Saltariam da irrelevância para algumas listas arejadas de melhores EPs de 2018. Por enquanto, as duas canções não são suficientes para dar mais bananas para este álbum.

(Certainty Waves em uma música: Center of)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.