Resenhas

The Fratellis – We Need Medicine

Voltando de um hiato de quatro anos, novo disco do trio traz a sonoridade clássica da banda e é destaque por mostrar várias faces do Blues Rock

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Ano: 2013
Selo: BMG
# Faixas: 11
Estilos: Blues Rock, Rock, Gospel
Duração: 44:58
Nota: 4.0
Produção: Jon Fratelli, Stuart McCredie

Bandas que retornam de hiatos são sempre uma situação delicada. Os fãs ficam receosos por um lado, mas ansiosos por outro. Se por um lado é bom que a banda esteja retornando depois de uma pausa, fica sempre a dúvida se ela continuará explorando a mesma sonoridade de sempre ou se optou por acrescentar novos sons buscando novas abordagens e experimentações. Normalmente, acho louvável essa busca, afinal insistir na mesma fórmula pode parecer preguiçoso. Mas em We Need Medicine, o novo álbum de The Fratellis, ouvimos a mesma clássica sonoridade do trio e, desta vez, dou graças a Deus por isso!

Insistindo em um Rock que flerta com Blues e o Indie, a banda sempre apostou em um som divertido, dançante e bem elétrico, o que torna a tarefa de ouvir um disco de The Fratellis sem mexer o esqueleto (nem que seja um simples balançar de cabeça), uma tarefa difícil. Nesse álbum novo, portanto, não foi surpresa dar play em Halloween Blues, a primeira faixa, e já escutar um riff extremamente Blues e sentir vontade jogar a cadeira, pegar o microfone e receber o espírito de Elvis Presley e seu passos de dança incríveis.

O que realmente chama a atenção no álbum é que, por mais que a banda insista na sua sonoridade, ele não é nenhum pouco entendiante. Isso porque cada faixa traz exemplos da pluralidade de faces que podem ser exploradas dentro do Rock/Blues. Se em Whisky Saga encontramos ótimos exemplos das famosas letras dramáticas e lamentosas (“Here are the remains of every girl I’ve loved”), em Shotgun Shoes temos um novo processo de composição lírica. O vocalista e guitarrista Jon Fratelli disse que cada dia que acordava escrevia um verso para essa música e assim, a música ganhou vida com uma persona irritadiça proveniente de seu mau humor logo pela manhã.

Mas não tem jeito. O destaque deste novo trabalho do trio fica por conta de sua poderosa instrumentação. O Blues se mistura com filmes do diretor Quentin Tarantino na excelente faixa Jeannie Nitro, em que ao mesmo tempo que temos acordes simples guiando os versos e refrão, encontramos talvez um dos melhores solos de Jon, evocando uma espécie de espírito faroeste veloz. Outro gênero que The Fratellis parece flertar nesse disco é o Gospel característicos dos cantos de aleluia aos domingos em igrejas americanas. Vemos isso principalmente na letra de Seven Nights Seven Days (“Show me the way brother, Give me a sign sister!”), que destacamos algum tempo atrás em nosssa sessão Ouça: Faixas.

O disco agrada fãs antigos da banda que esperavam pelo retorno da banda, mas também é um ótimo exemplo de primeiro registro que desconhecedores de The fratellis devem conhecer. Depois de escutar o álbum você provavelmente vai se identificar com o título da obra, porque você estará tão exausto que vai precisar de um remédio para voltar ao normal.

Valeu a espera!

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BOM PARA QUEM OUVE: The Strypes, The Kooks, The Black Keys
ARTISTA: The Fratellis
MARCADORES: Blues Rock, Gospel, Ouça, Rock

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.