Resenhas

The Fresh & Onlys – House of Spirits

Mesmo agradando fãs de seus últimos registros, banda também se resolve arriscar e acerta

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Ano: 2014
Selo: Mexican Summer
# Faixas: 10
Estilos: Folk Rock, Indie Rock, Garage Rock, Lo-Fi
Duração: 39:23
Nota: 3.5
Produção: Tim Cohen

Ao olhar pela carreira de The Fresh & Onlys, a cada disco uma boa parte da sua fórmula musical se repete. O frequente romance com o Lo-Fi assim como às inspirações na Surf Music ainda são o charme especial, no entanto um fator em especial se mostra cada vez mais presente a cada disco lançado pelo quarteto de San Francisco: A maturidade musical e a vontade de soar cada vez mais popular e acessível, sem cair no óbvio ou no extreamente comercial. Ao menos é essa a ideia que passa o álbum House of Spirits.

Quem veio a conhecer o grupo em seu último disco de estúdio, Long Slow Dance de 2013, não deve se aborrecer com atual lançamento dos rapazes, visto que as sonoridades de lá pra cá não tiveram assim tanta mudança. O Pop, Rock e as nuances de um Folk Rock à la Chief e Band of Horses ressoa por toda a extensão do disco. As guitarras ainda são levemente distorcidas e a sujeira sonora também passa por ali, mas de uma maneira muita mais estudada para que tudo esteja mais próximo do harmônico do que de uma bagunça espontânea.

Isso reflete-se principalmente na canção Bells of Paonia, que é uma balada romântica mantida por reverb de guitarra do começo ao fim, e que se alia muito bem aos doces vocais cantados como um hino e aos teclados, iniciando e findando a canção. Who Let The Devil, Animal of One e April Fools são as músicas que mais se aproximam do último registro, mas que ainda assim mostram evolução, sendo que parte delas chegam a soar até mesmo como um Pós Punk das antigas, algo desbravado entre The Smiths e The Cure, principalmente pelas letras e pelos vocais que remetem aos modismos oitentistas.

A inventididade e o pensamento fora da curva ficam por contas das duas últimas canções. Candy é uma envolvente composição que aproveita-se da nostalgia em belos acordes permanentes que são contrastados com samples de teclado que galgam um terreno até então novo, fora a presença de instrumentos de sopro ao fim da música. Madness provavelmente seja o maior desafio experimental assertivo dos rapazes, visto que a progressão da canção que começa doce e mais próximo do eletrônico percorre para um caminho cada vez mais denso a cada segundo da obra, terminando com distorções que hipnotizam o ouvinte ávido pela novidade.

Sem pesar, o conjunto soa muito agradável, não cansa e desperta vontade de ouvir novamente, podendo ser esse o início de um tempo de discos mais coesos para os rapazes estadunidenses.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.