Resenhas

The Fresh & Onlys – Long Slow Dance

Banda explora cada vez menos o Lo-Fi que os revelou e experimenta com mais estilos neste disco

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Ano: 2012
Selo: Mexican Summer
# Faixas: 11
Estilos: Garage Rock, Indie Rock
Duração: 35:05
Nota: 3.0

Eu acho que certas bandas nascem no lugar certo e na hora certa, e esse é o caso da The Fresh & Onlys que em 2008/09 participou daquela onda Lo-Fi que dominou blogs e sites ao lado de grupos como Wavves, Best Coast e de mais tantas outras. Porém, ser conhecido por um movimento ou por uma sonoridade muito especifica nem é sempre tão bom, visto que é muito difícil conseguir manter-se fazendo o “mesmo som” por muito tempo sem se repetir ou sem cansar os fãs, ou até mesmo pela vontade de fazer coisas diferentes.

Essa tal mudança não é um fato recente em sua carreira que, desde 2010 com Play It Strange, já vinha modificando seu som, aparando as arestas e cada vez mais apostando nas melodias e arranjos mais sofisticados ao invés das guitarras cheias de reverberação e distorção que dominaram seus discos anteriores. Ali, ainda se via um pouco do Lo-Fi que os fez conhecidos, mas esse já era um primeiro passo em direção ao que seria Long Slow Dance.

Há quem diga que foi uma “evolução natural” da sonoridade ou que o som está mais “orgânico”, mas eu vejo de forma diferente. Assim como Best Coast, que foi limpando seu som durante a carreira na tentativa de soar mais acessível e ter um apelo popular maior, a The Fresh & Onlys seguiu a mesma linha. Não há problema algum em fazer isso e bons discos vieram dessa ideia de se fazer mais acessível – mas esse ainda não é o caso de Long Slow Dance.

Revendo toda a carreira do grupo, você pode perceber que as melodias felizes e que remetem ao Surf Rock sempre existiram, mas parece que a estética Lo-Fi é o que fazia essas músicas serem “diferentes” e chamarem a atenção. Perdendo esse elemento, a banda não tem um apelo tão grande como em seus discos anteriores, nem mesmo a energia que existia neles está presente.

Para tentar compensar isso, a banda faz uma mistura interessante entre Pop e Rock dos anos 60 com o Country e ainda traz bastante daquelas melodias à la Beach Boys. O grupo traz também alguns elementos alienígenas à sua música: o sintetizador em Fire Alarm, um tanto de Drone Rock em Euphoria e uma pegada meio trilha de Western feita por Ennio Morricone em Executioner’s Song.

A produção está visivelmente melhor, como podemos ver desde a faixa de abertura 20 Days and 20 Nights, a instrumentação é muito bem feita e o disco está mais limpo e acessível, porém ainda parece que falta algo. Crescer musicalmente não é fácil e pode ser estranho tanto para a banda, quanto para os ouvintes, mas The Fresh & Onlys já deu o primeiro passo para trabalhos mais ambiciosos.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ty Segall, Thee Oh Sees, Best Coast
MARCADORES: Garage Rock, Indie Rock

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts