Resenhas

THE HIGH WIRE – Found in Honey

Clima sereno e bonitas canções abrangem um disco pouco inovador, mas bem produzido

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Ano: 2014
Selo: The High Wire
# Faixas: 8
Estilos: Folk, Indie Pop
Duração: 25:21
Nota: 2.5
Produção: THE HIGH WIRE

O terceiro disco da inglesa THE HIGH WIRE coincide bastante com seu título. Mais calmo que encontros anteriores, o grupo parece ter encontrado sua voz em um trabalho sereno em Found in Honey. Doce como a iguaria que aparece no letreiro de sua capa, o álbum não traz inovações, mas acerta quando tenta seguir uma coesão quase natalina do começo ao fim.

Alternando entre faixas acústicas e calmas, mas ainda com espaço para os passos de dança e aproximação da pistas, o disco (que mais se parece um EP devido às suas oito faixas e pequena duração) agrada apesar de não empolgar. Como se um estado contínuo de bem estar fosse possível e adoçado com açúcar de confeiteiro, a produção tenta ser expansiva e pontual feito como um produto natalino e vendido com comerciais cheios de neve e tons avermelhados e esverdeados. Se utilizássemos conceitos deterministas, diríamos que seu lançamento em março desfavorece o trabalho aqui, no entanto, apesar de termos belíssimas músicas que seriam bem aceitas no final do ano, não nos vemos voltando ao trabalho com muita frequência.

As vozes alternadas e riffs de guitarra que coincidem com o ritmo alegre dão o tom em Radio On. O excesso de beleza produzida não emociona como deveria porque não sinaliza muita sinceridade. Temos boas faixas, como a acústica Last Invitation que pode muito bem estar em algum trilha sonora de filme independente em 2014, ou mesmo The Thames & The Tide – bonita, mas estranhamente comum. Nos vemos mais interessados quando o Eletrônico visto em outros trabalhos surge na expansiva e interessante LNOE ou no Pop certeiro de Angelspeech, single com cara de sucesso e aceitação popular.

A sua curta duração, que poderia jogar contra a obra ao nos deixar aguçados por mais, acaba funcionando bem, pois Found in Honey serve como um bom pano de fundo para reuniões cheias de amigos em que um belo jantar é oferecido em troca de companhia. Quando vemos, o disco já chegou ao seu final e podemos escolher colocá-lo de novo nesta situação, pois dificilmente você estará interessado em tanta doçura no cotidiano. Em seus momentos derradeiros, no entanto, ficamos surpresos com o melhor momento da obra: Cinch, única faixa que unifica todo que vimos até então, mas com sinceridade. Sua levada acústica letárgica é auxiliada por um ótimo background eletrônico após sua introdução. Se deixando levar pelas batidas e ótima melodia, o ouvinte parece relaxar finalmente e encontrar um sentido no disco como um todo. Entretanto, não espere maiores emoções do que isso ou algo realmente inovador. Pense em uma trilha sonora para seu futuro natal ou uma reunião nos moldes dessa comunhão, mas só. Pontual como uma data, o álbum se resume a um momento único com poucas revisões.

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BOM PARA QUEM OUVE: Broods, Broken Bells, Sufjan Stevens
ARTISTA: THE HIGH WIRE
MARCADORES: Folk, Indie Pop

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.