Resenhas

The Julie Ruin – Run Fast

Depois de sete anos longe dos estúdios, Kathleen Hanna volta com um novo projeto que busca referências a duas de suas bandas, Bikini Kill e Le Tigre

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Ano: 2013
Selo: TJR Records
# Faixas: 13
Estilos: Dance Punk, Indie Rock
Nota: 3.5
SoundCloud: /tracks/95588927

Apesar de Run Fast ser o disco de estreia de The Julie Ruin, o projeto teoricamente existente desde 1997 (porém sem o prefixo “The”). Naquele ano Kathleen Hanna gravou sob este pseudônimo um álbum embrião do que se tornaria não só este mesmo projeto reformado após 15 anos, mas também do que seria o Le Tigre, trio de Dance-Punk e Electroclash pelo qual a moça foi responsável pelos vocais até 2006, ano em que a banda entrou em hiato por tempo indeterminado.

Se Le Tigre não é uma banda familiar a você, talvez o Bikini Kill seja. Essa seminal banda ajudou a cunhar o termo Riot Grrrl e foi extremamente importante para a aproximação do Punk, feito na capital norte-americana, e o movimento de militância feminista, que ganharia ainda mais força naquela década. Em cada uma dessas bandas Hanna mostrou suas principais características, sejam as líricas (sempre abordando temas pertinentes a sua militância), sua voz bem peculiar, a sonoridade explosiva ou mesmo a musicalidade sempre divertida.

Dito tudo isso, vale dizer que The Julie Ruin soa como um amálgama entre estas duas bandas. Kathleen volta ao seu passado, mas não forma saudosista. É como se ele se inspirasse no que já fez, mas sem se apegar a alguma fórmula pré-estabelecida em um desses grupos. Outro ponto importante aqui, é que agora o projeto, anteriormente solo, se tornou uma banda e por mais que Hanna seja o motor do quinteto, os quatro outros membros (Kathi Wilcox (ex-Bikini Kill), Kenny Mellman (Kiki and Herb), Carmine Covelli e Sara Landeau) tem muito a acrescentar a neste novo misto.

Em treze faixas a banda mostra um misto bem interessante entre as sonoridades marcantes das duas bandas de Hanna, hora embarcando para o lado mais Punk e argumentativo e em outros para terrenos mais dançantes e despreocupados, todos conduzidos pela voz e pelas letras da vocalista que mostra mais uma vez saber abordar temas diferentes das mais variadas formas, desde os mais bobos até os mais importantes. Mais que simples um repeteco do que já foi feito, este disco mostra um novo período de Hanna, agora mais madura, em que suas temáticas são também condizentes aos seus 40 e tantos anos.

Cheio de energia, o álbum começa com seu principal single, Oh Come On, que mostra muito bem essa tal mistura entre Bikini Kill e Le Tigre, esta se orientando mais ao lado da primeira, cumprindo o lado mais Rock do disco. Ha Ha Ha, por outro lado, poderia estar em algum dos de Le Tigre, com sua vibe sintetizada, pulsante e extremamente divertida. E em suas treze faixas, o disco continua pendulando entre estes dois extremos, mas ainda assim trazendo novidades, como Girls Like Us ou Kids In NY, por exemplo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Speedy Ortiz, The Breeders, Waxahatchee
MARCADORES: Dance Punk, Indie Rock

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts