Resenhas

The Killers – Battle Born

Quarteto de Las Vegas aposta em uma grandiosidade que não pode ser levada a sério e, por mais divertido que soe, nos faz questionar as verdadeiras qualidades da banda

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Ano: 2012
Selo: Island, Vertigo
# Faixas: 12
Estilos: Indie Rock, Pop Rock, Rock
Duração: 51:16
Nota: 3.0
Produção: Steve Lillywhite, Damian Taylor, Brendan O'Brien, Stuart Price e Daniel Lanois

Desde antes do título Battle Born ser anunciado, já era de se esperar que o novo disco da banda The Killers viria como algo grandioso, imponente e imbatível. Ao menos, essa é a aparência que parece tão meticulosamente construída pelo grupo de Brandon Flowers ao longo de suas doze faixas, uma pose que pode convencer alguns, mas levantar algumas suspeitas da real qualidade da obra.

É um álbum que parece tentar resistir ao envelhecimento com a estratégia de já parecer datado. Não vintage, datado mesmo. Ele fica bem ao lado do repertório de alguma rádio de flashback, dessas de sala de espera, táxis e carros de família. Ao mesmo tempo, essas programações destinam-se apenas a mostrar músicas boas – que são as que sobrevivem de fato ao teste do tempo. O problema é quando o esforço para se atingir tal status parece demasiadamente árduo, ao contrário da espontaneidade que esse processo idealmente teria.

Here With Me é, provavelmente, o maior desses exemplos. Sabiamente posicionada como a quarta faixa do disco, a balada cria a mais óbvia das comoções no ouvinte ao entoar os versos chorosos “Don’t want your picture on my cellphone, I want you here with me” do refrão. Requer uma certa pré-disposição do ouvinte para conseguir se emocionar com tamanha artificialidade, mas não imagino que muita gente escute The Killers para se emocionar mesmo.

Ao menos, se você faz isso, está perdendo a maior qualidade da banda, que é a de criar ambientações sonoras que ficam bem tanto para dançar, quanto para se ouvir enquanto trabalha ou faz qualquer outra atividade cotidiana. Ao menos é isso o que músicas como Flesh and Bone, Runaways, The Way It Is (a tríade que abre o disco) e a canção-título conseguem promover, mesmo parecendo não terem tanta certeza do real tamanho que tem.

É que às vezes Battle Born dá a impressão de ser um adolescente que não mede esforços para ser visto como gente grande, o que faz com que a tal imponência pareça um tanto ingênua para quem já cresceu. Ou, talvez, seja uma questão de mau posicionamento, já que a banda pode não vender a imagem de tentar ser o maior nome do show business mundial, mas certamente se inspira na atitude de outras que há décadas trabalham para chegar nesse posto ou se manter nele.

Isso não atrapalha o The Killers de te divertir, mas é sempre difícil levar a sério um adolescente metido a “adultinho”. Não são suas melhores músicas, não é seu melhor disco, mas ainda são músicas fáceis de curtir. Cabe à banda decidir se seus próximos planos buscarão caminhos mais interessantes ou se todos nós continuaremos nos contentando com seus lançamentos mornos.

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ARTISTA: The Killers
MARCADORES: Indie Rock, Pop Rock, Rock

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.