Resenhas

The Kills – Blood Pressures

Com onze anos de estrada, dupla lança seu quarto álbum com ótimas composições, que soam um pouco mais leves que nos trabalhos anteriores, mas que trazem uma maturidade inédita e a mesma energia de sempre

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Ano: 2011
Selo: Domino Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Lo-Fi
Duração: 41:50
Nota: 4.0
Produção: Jamie Hince, Bill Skibbe

Pois é, a maturidade está fazendo bem pra dupla The Kills. Pelo menos, é o que mostra seu quarto álbum, Blood Pressures, que foi um dos lançamentos mais comentados durante o ano, cheio de composições mais leves que em seus outros trabalhos, sem perder a atitude, energia e (muito menos) a qualidade.

Com produção de Bill Skibbe e do próprio James Hince (a metade masculina e britânica da dupla), o disco foi gravado no mesmo estúdio que seus dois anteriores, se diferenciando deles por um pequeno distanciamento do lado mais sujo do Lo-Fi para se aproximar de um Rock “de raiz” (com uma certa influência blueszística e herdeiro direto das bandas dos anos 70) sem perder seu feeling contemporâneo (seria essa uma boa definição para o Indie Rock? Reflita).

Toda a sonoridade do álbum está resumida em Heart Is a Beating Drum, que pode ser um melhor “cartão de visita” de Blood Pressures do que seu primeiro single, Satellites (embora esse aí tenha mais visibilidade comercial mesmo, além de ser muito boa). O vocal da americana Alison Mosshart dialoga bem com as guitarras contidas (mas não necessariamente comportadas – afinal, é Rock’n’Roll, bebê) e bateria bem marcada, com aquela tensão de bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento.

O disco é marcado por canções divertidas, mas nada bobas, que deixam o ouvinte com vontade de ver uma apresentação do The Kills em uma casa de shows pequena, daquelas em que você curte dançando e cantando junto com a banda bem na sua frente. Não é um som grandioso, é intimista sem ser intimidador, daqueles que te convidam a entrar na festa, como nas faixas Baby Says, Future Starts Now e Nail in My Coffin.

Mas nem tudo é farra por aqui. A obra conta com seus respiros, como na curtinha Wild Charms (que funciona como uma introdução para a ótima DNA) ou na balada The Last Goodbye, com piano e cordas. Pra encerrar, vem a dupla You Don’t Own the Road – uma pequena preciosidade radiofônica do Rock, sendo pop e suja ao mesmo tempo – e Pots and Pans, que deixa mais clara aquela pegada roots das outras músicas.

Blood Pressures é um bom argumento a favor da maturidade e do potencial criativo do The Kills, que nos mostra que, com onze anos de estrada, dialoga fluentemente a linguagem roqueira e seus dialetos, sabendo incorporar novidade em seu trabalho sem perder identidade.

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ARTISTA: The Kills
MARCADORES: Indie Rock, Lo-Fi, Rock

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.