Resenhas

The Laurels – Plains

O Primeiro disco da banda explora o passado sem parecer datado, misturando diversas influências e estilos, mas sempre tendo a psicodelia como norte

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Ano: 2012
Selo: Rice is Nice
# Faixas: 10
Estilos: Rock Psicodélico, Shoegaze, Noise Pop
Duração: 43:30
Nota: 3.5
Produção: Liam Judson

Uma grande tendência hoje em dia é redescobrir e reutilizar sonoridades do passado. Algumas bandas fazem isso de forma a parecer um resgate cru e objetivo do estilo, soando às vezes como uma mera cópia. Outras conseguem se utilizar do som de ontem de outra forma, dando sua cara a ele, o reinventando, fundindo diversas referências e, sobretudo, dando personalidade ao seu som. Posso dizer que The Laurels se encaixa nessa segunda opção. O disco de estreia do quarteto é um misto de muitas dessas sonoridades do passado que, se combinando, não ficam datadas, então a banda consegue fazer um som muito plural criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos sem que soem necessariamente presos a esses gêneros.

A forma como Plains é construído deixa muito clara essa pretensão, mostrando já nas primeiras faixas que o disco vai dar um passeio muito grande e te levar junto nessa viagem. Mas essa mistura por si só não é o que faz deste um bom álbum. O toque psicodélico e a forma Pop de unir todas as referências é o que lhe torna acessível. Porém, em seu decorrer, a obra vai perdendo a força sua capacidade de explorar novos territórios – as músicas continuam boas, porém tornam-se ligeiramente repetitivas. Além disso, Plains não traz nenhuma real novidade para quem já conhecia a banda.

O primeiro single a ser apresentado é também a faixa que abre o disco. Sem surpresas, Tidal Wave traz as guitarras potentes empoeiradas em uma espécie de releitura do Shoegaze, que também está presente em várias outras faixas dominando junto com o Rock Psicodélico grande parte das referências do quarteto. Changing The Timeline traz do Noise uma boa dose de distorção e fuzz, lembrando em alguns momentos Sonic Youth, em uma música com uma vibe garageira que está distribuída também em grande parte álbum.

A música que mais flerta com o Psicodelia sessentista é This City Is Coming Down, lembrando bastante os trabalhos mais recentes de resgate ao gênero feito por Ty Segall e White Fence. Quando o disco passa da metade, começa a se repetir em sonoridades, explorando um mesmo lugar mais de uma vez, caso de Mesozoic, que remete às primeiras faixas do disco, e Sway Me Down Gently, que volta à pegada psicodélica. Já sem muito fôlego, A Rival se arrasta pelos últimos seis minutos do disco em um Shoegaze noventista, esse sim com uma cara de cópia do estilo.

A preocupação da banda em fazer um som altamente compreensível a faz perder o frescor em alguns momentos, no sentido de não trazer novidades ou não inovar tanto. O disco passa por ótimos momentos que conseguem segurá-lo muito bem, creio que o suficiente para uma banda que está estreando agora.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts