Resenhas

The Minus 5 – Dungeon Golds

Banda de amigos que inclui integrantes de Wilco e R.E.M. mantém receita de Pop Folk dourado

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Ano: 2015
Selo: Yep Roc
# Faixas: 12
Estilos: Folk Rock, Rock Alternativo, Pop Alternativo
Duração: 43:25
Nota: 3.0
Produção: Scott McCaughey

Scott McCaughey é o típico sujeito gente boa, com um milhão de amigos para bem mais forte poder cantar. Ele já empunhava guitarras e baixos numa Seattle oitentista, bem antes de qualquer banda de Rock mais pesado aparecer na mídia. Ele sempre revezou-se entre seu principal veículo musical, Young Fresh Fellows – que se dedicava a reciclar o Rock britânico sessentista, principalmente de gente como The Kinks e The Beatles – e vários projetos paralelos e participações aqui e ali. A partir de 1993, Scott fundou uma banda colaborativa, na base das afinidades sonoras e afetivas, chamada The Minus 5, na qual carregava tijolos sonoros com chapas como Peter Buck e Mike Mills (ambos de R.E.M.), além de Robert Pollard (Guided By Voices) e John Flansburgh (They Might Be Giants), entre muitos outros que vieram com o passar do tempo. Talvez pela leveza dos encontros, pela facilidade de unir pessoas quando a diversão é o que mais importa, The Minus 5 segue firme e forte e lança este que é seu décimo álbum, Dungeon Golds.

A origem das canções é curiosa. A banda lançou em 2014 uma caixa de cinco LP’s chamada Scott The Hoople In The Dungeon Of Terror aludindo ao minúsculo estúdio de McCaughey, montado no porão de sua casa. Com tiragem de 750 cópias em vinil, ela fez parte das comemorações do Record Store Day e parecia feita apenas para esta ocasião. A partir dos pedidos do público presente aos constantes shows, a formação mais recente do grupo, contando, além de McCaughey e Peter Buck, com Jeff Tweedy (Wilco, Tweedy), o recém-falecido Ian McLagen (Faces), Nate Query (The Decemberists), além de mais uma galera de amigos, decidiu retornar ao estúdio e regravar algumas das canções, para lançá-las em tiragem maior. O som que sai da vitrola é bem feito, com pedigree da Invasão Britânica, com guitarras decalcadas das harmonias que The Byrds lançaram há tanto tempo e que R.E.M. reinterpretou e misturou com pegada Punk americana. É música praticamente atemporal.

Apesar do clima de confraternização, não temos um desfile de músicas engraçadinhas e despreocupadas. Há questionamentos importantes e interessantes, como em In The Ground, cuja letra revela preocupação com a vida após a morte, ou melhor, se há alguma instância de existência após o que temos aqui. O tom menor, os fraseados de órgão e os vocais dobrados de It’s Beautiful Here tem ressonância em canções e arranjos que se mantém intactos e relevantes por décadas. A aparência clássica de melodia tipicamente R.E.M. dá as caras em canções como Adios Half Soldier, Chinese Sauce Magnolia e Hold Down The Fort mas há espaço para pequenas criaturas com DNA de Wilco aqui e ali: Remain In Lifeboat é bom exemplo, ainda que lembre os momentos iniciais da banda de Chicago, mas It’s Magenta, Man esmiuça as conexões com efeitos e desabamentos de mixagem que são familiares à transição para a fase Yankee Hotel Foxtrot.

Nem tudo é decalque – bem feito – por aqui. A canção de abertura, My Generation foi meticulosamente revestida por eletrônica noventista de baixo orçamento, algo que joga curiosamente a favor de seu andamento, enquanto Zero Clowns, que também tem a mesma aparência, surge acrescida de vocais de apoio harmoniosos. O encerramento com The Unforeseen é mais clássico e flerta com elementos Country, personificados na bela steel guitar que conduz a melodia, com surpresas de andamento até seu final.

The Minus 5 surge de vez em quando, lança disco, faz show, celebra a camaradagem e submerge, dando lugar aos principais compromissos de seus integrantes. Não é – e não pretende ser – algo muito sério, e talvez este seja seu grande trunfo, o de parecer uma reunião de camaradas que não se vêem há tempos, uma fórmula que funciona há 22 anos.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.