Resenhas

The Paper Kites – States

Grupo lança nova obra atmosférica de músicas serenas com raízes no Folk

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Ano: 2013
Selo: Nettwerk
# Faixas: 13
Estilos: Folk, Chamber Folk
Duração: 53:16
Nota: 3.5
Produção: Wayne Connolly

Sem medo de inovar suas referências, mas sempre com pés firmes na base sólida do estilo do grupo, The Paper Kites apresenta o novo trabalho, intitulado States. Apesar do nome de batismo, o ouvinte, durante a audição deste trabalho, não vaga por diferentes sensações, que joga sempre dentro de um território específico, de músicas aéreas e etéreas sempre preenchendo a atmosfera de modo tranquilo (embora bastante intenso) em sua Folk Music meditativa.

Mantendo suas raízes na música Folk e utilizando-se de seus elementos icônicos na composição dos arranjos, com instrumentos que vão dos banjos à gaita de boca, e chegando ao uso de recursos que delineiam o campo de pertencimento do grupo, como os vocais abertos em várias vozes de harmonias cheias de ar e solos de slide no violão, os Paper Kites não se intimidam quando se faz necessário a presença da instrumentação elétrica, e fazem uso das guitarras e seus pedais de efeito sem medo, embora sempre numa medida equilibrada.

Embora o universo do álbum esteja bastante claro, conforme já mencionado, mesmo em momentos mais grandiosos (como ao final da canção Gates que nos traz a sensação de um final de filme de faroeste), nota-se uma sonoridade muito interessante no trabalho do grupo, que deriva uma razão simples: o trabalho e sua musicalidade vem seguindo um caminho natural de amadurecimento desde sua fundação, e, sem pressa nem fama repentina a competência da banda cresce em seu trabalho delicadíssimo de bases sólidas, que respeitou seu tempo natural de crescimento.

Contudo, States é um álbum monocórdico, e ao longo de suas treze músicas (que variam numa média de quatro a cinco minutos cada) em seu ritmo relaxante, você poderá cair no sono no segundo terço do álbum se não fizer uma pausa para um café. Pode interpretar isto no tom que quiser, para o bem ou para o mal. Esta característica é uma desvantagem apenas no modo como foi escolhida a apresentação do álbum (na sequência de músicas e duração das faixas, por exemplo) e está longe de comprometer a qualidade das mesmas individualmente. A situação quase muda ao início da décima música, In Reverie, mas logo volta à mesma aura anterior até o fim do álbum no belíssimo fade out de I Done You So Wrong.

Atmosférico e de raízes no melhor que há do Chamber Folk, o álbum peca apenas pela manuntenção do mesmo ritmo relaxante na totalidade de seus 53 minutos, mas reúne belos exemplos de ótimas canções para acalmar a alma, do domingo de manhã à hora do rush da próxima segunda-feira.

O grupo recentemente liberou a audição em streaming pelo Soundcloud, veja aqui.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte