Resenhas

The Pexes – Do The Pexes

Entre o MPB e o Ska, projeto diverte, mas não se arrisca muito

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Ano: 2014
Selo: Independente
# Faixas: 5
Estilos: MPB, Ska, Indie
Duração: 15:00
Nota: 3.0

A tecnologia às vezes é considerada inimiga do cidadão padrão, principalmente por motivar nele uma maior ansiedade e transformar seu campo de socialização apenas em incessantes balões de conversa. A banda The Pexes vem pra mostrar que existe sim a possibilidade de se tirar o melhor desse avanço, principalmente quando falamos de música. O grupo é formado por Beto Mejía, Marco Pessoa, Kelton Gomes, Marcius Fabiani, Diego Marx e nenhum mero ensaio. O EP Do The Pexes é fruto de trocas de arquivo e conferências online, mas foge de qualquer característica artificial em seu som.

O aventureiro flaustista do grupo Móveis Coloniais de Acaju mostra que também manda bem nos vocais desde o compacto Abraço, seu primeiro registro autoral, lançado em 2012. Bem humorados, os músicos adotaram o tal nome devido a uma admiração ao jogador Romário, que atende pelo apelido de “Peixe” já há um bom tempo. Quem já conhece o trabalho de Mejía, e até mesmo de Móveis, deve assimiliar muito bem a sonoridade do rápido disco: Em grande parte do tempo o trabalho segue em ritmo animado, recheado de letras irreverentes e embasado pela MPB e por nuances do Ska.

A Herança, A Mulher e o Dedo poderia facilmente ser uma trilha-sonora para algo entre o jocoso e o jovial. Abusando das rápidas guitarras e dos acordes repetitivos de tempos em tempos, a música se transforma no single principal do registro. Talvez também bata a nostalgia dos primeiros hits de Garotas Suecas, Autoramas e Vanguart, que costumavam ser mais efervescentes em seus primórdios. Pericardite (A Canção Homeopática Para Corações Partidos) é provavelmente a faixa mais recheada de personalidade, trazendo influências das Jug bands e de uma percussão compassada e incessante que desperta os passinhos animados. A música aborda a tal doença sentimental e a forma que os rapazes tentam solucioná-la sem sequelas.

Nada Além, Uma Lição e Meu Lamento pisam no freio e aproximam-se de um território já bem habitado por uma grande porção de bandas nacionais, o que não anula a diversão do material, principalmente nas duas últimas, que são basicamente baladas românticas embaladas por guitarras que crescem ao compasso que discorrem. Ao fim disso, basicamente a ideia que se tira é que os sedentos fãs de Móveis Coloniais tem no disco algo mais próximo de um Lado B da banda. A reunião de diferentes artistas, embora vivenciem cotidianos diferentes, resume-se a um agradável material, mas que não aposta muito além de que sua principal referência brasiliense já tão citada por aqui.

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ARTISTA: The Pexes
MARCADORES: Indie, MPB, Ska

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.