Resenhas

The Polyphonic Spree – Yes, It’s True

Aquela banda enorme da década passada investe no formato de sempre e não se percebe irrelevante para o público de hoje

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Ano: 2013
Selo: Good Records
# Faixas: 11
Estilos: Pop Psicodélico, Pop Alternativo, Indie
Duração: 48:40
Nota: 2.0

Sempre vi The Polyphonic Spree como uma banda divertida. Aquele monte de gente fazendo música sem muita pretensão, com uma pegada meio hippie, meio coral de igreja – um grupo que coloca a música à sua frente e apresenta mensagem e atitude otimistas, o que é ótimo. Porém, o que acontece em seu quinto álbum, Yes, It’s True, é uma coleção de repetições de todos os fatores que deram destaque à banda na década passada e que não despertam mais tanta curiosidade aos ouvidos de hoje.

Suas intenções são sempre boas, mas nada justifica a exaustão que o feel good excessivo causado logo ao final das três primeiras faixas. É quando surge Carefully Try, com uma estrutura mais criativa e um clima mais etéreo, que você pensa que a coisa vai engatar, mas aí vem a aparentemente simpática You’re Golden e, quando tudo parecia estar melhor, você repara na letra (“It’s not the car that you drive it’s not your phone with an ‘i’, it’s not your Facebook likes, it’s not your Instagram pride”) e fica com aquela cara de “ah, sério?”.

Imagino que o público da banda, atraído por sua positividade e criatividade, não seria esse tão ligado em coisas materialistas ou em algum status “virtual” a ponto de acreditar que seu valor reside nessas coisas. Sendo assim, ou o grande conjunto tem muita certeza de conquistar um novo target, ou está cantando pra ninguém.

Mesmo com algumas composições agradáveis (Heart Talk, Blurry Up the Lines, What Would You Do), fica o tédio da irrelevância de faixas como Raise Your Hand, Hold Yourself Up ou a longuíssima Battlefield no encerramento.

Se havia nos anos 2000 algum brilho em um som feito por muitas pessoas sem muitas rédeas, isso por si só não tem muito valor hoje em dia. É claro que não é necessária uma reimaginação da banda, mas uma certa insatisfação com a mesmice por parte de seus membros poderia ser saudável para seus futuros lançamentos. Ao vivo, porém, tudo isso aqui deve ser uma grande festa – embora haja chances de se tornar uma daquelas ocasiões festivas que você não vê a hora de ir embora quinze minutos após chegar.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.