Resenhas

The Strokes – Future Present Past EP

Pequeno lançamento surpresa serve para argumentar a favor da atividade do quinteto

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Ano: 2016
Selo: Cult Records
# Faixas: 4
Estilos: Indie Rock, Rock, Rock Alternativo
Duração: 19'
Nota: 3.5

Ninguém sabe ao certo o que significa ser The Strokes. Não me refiro ao posto de uma das bandas mais celebradas da última década e meia, principalmente dentro do filão batizado como Indie Rock ou à categoria de “ex-promessa” que seus últimos lançamentos concederam ao quinteto – a questão não é sua identidade. O que quero dizer é que ninguém sabe ao certo o que é acordar no dia seguinte a essa avalanche de nomes, louvores e xingamentos e continuar vivendo normalmente, tampouco entrar em estúdio e seguir em frente com a carreira.

Future Present Past EP pode parecer um lançamento tímido à primeira audição, já que possui apenas três faixas e um remix, mas sua força está atrelada à sua própria existência: The Strokes continua na ativa – e isso é uma informação relevante para a “cena”, para a “indústria” ou o termo que você preferir para nomear uma rede que entrelaça influências e decisões para o que ouviremos nos próximos tempos.

Drag Queen abre o EP com energia suficiente para mostrar que a banda ou acordou, ou nunca foi dormir. Com o vocal em volume mais baixo do que o comum e uma pequena crescente, ela marca presença sem roubar lugar da estrela do EP: OBLIVIUS (a que ganhou remix), com um diálogo interessante e carismático entre as guitarras e um refrão grandioso digno de um Rockzão à moda antiga com cara de algo feito hoje (uma sensação refletida não só no título do disco, como também na alma da obra como um todo).

Antes do derradeiro remix (assinado pelo próprio Fabrizio Moretti), vem Threat of Joy música que vem para dar o que grande parte do público espera ou gostaria de ver a banda fazendo exclusivamente. É uma faixa divertida com um ar meio cansado, meio blasé, com cara de despretensão no refrão arrastado e na interpretação de Julian Casablancas relembrando os momentos mais celebrados do grupo.

Talvez Future Present Past tenha a ver com a ordem das três músicas, como se cada uma pertencesse a um momento de sua discografia e como elas apontam para seus próximos lançamentos, talvez signifique mais essa tal pós-morte do Rock que teima em não deixá-lo ser enterrado (ainda bem) e, mesmo se sua vertente Indie-guitarrinha-jaqueta-de-couro não tenha sido lá a mais inventiva, ao menos tem fôlego para deixar a festa continuar.

No fim das contas, a mensagem parece mesmo ser esta: The Strokes está aí na ativa, seja para quem vive do saudosismo de seus antigos sucessos, ou mesmo para quem já decidiu não gostar deste EP antes de ouvi-lo. Aceite, porém, que é um pequeno disco sólido, independente de seu significado para você.

(Future Past Present EP em uma faixa: OBLIVIUS)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.