Resenhas

The Tamborines – Sea Of Murmur

Duo brasileiro produz disco restrito ao gênero, porém agradável

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Ano: 2015
Selo: Beat-Mo Records
# Faixas: 11
Estilos: Shoegaze, Indie Rock
Nota: 3.0
Produção: The Tamborines

Nascidos no Brasil, mas residente em Londres, o músicos do duo The Tamborines resolveram respirar o Shoegaze em sua terra natal. Com um disco já lançado, a banda nos mostrou claramente que nomes como Slowdive e Ride são inspirações óbvias e reverb é algo indispensável no seu histórico sonoro. Escolhendo uma produção caseira (e não por isso com qualidade menor), Henrique Laurindo e Lulu Grave escrevem um novo capítulo em sua curta história que pode pecar na falta de uma faixa que se destaque entre as demais, mas certamente agradará fãs de um Shoegaze mais calmo. O disco entra naquele caso de usar seu respectivo gênero como uma nostalgia musical excessiva e talvez possa se tornar um pouco mais difícil de analisar as qualidades do mesmo.

Sea Of Murmur funciona como um compilado das melhores características do gênero, o que também pode ser visto como um trabalho que explora os respectivos clichês. Bastante reverb e acordes abertos e bem fixados em estruturas Pop dão o tom de abertura do disco na faixa Another Day, e ele assim prossegue sem grandes novidades. Faixas como Ghost At The Light House e Slowdown provocam picos de destaque, mas, no geral, temos um trabalho bastante previsível. Liricamente, o duo disse que queria que esse trabalho soasse diferente do primeiro, emocionalmente falando.

O fim de um relacionamento foi a principal inspiração temática aqui, e vemos que isso acaba refletindo na parte instrumental das músicas, criando ambientações interessantes. Lulu Grave disse que seria extremamente fácil enfiar vários sintetizadores e efeitos, mas eles optaram por manter tudo em um nível mais primordial.

Não fugindo muito do padrão, The Tamborines mostra a fácil adaptação de brasileiros a outros gêneros, o que permite uma reflexão bastante extensa de como esta modabilidade a sonoridades alheias contribui para a variedade e a imprecisão que temos em definir uma identidade sonora brasileira. Um disco que depende dos gostos do ouvinte, mas que certamente tem algo a dizer. Vale a pena uma escutada e perceber que este trabalho pode ser encarado como um ensaio de uma personalidade mais forte a se compor no futuro.

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BOM PARA QUEM OUVE: Slowdive, Ride, Deerhunter

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.