Resenhas

The Temper Trap – Thick As Thieves

Grupo australiano não surpreende em novo álbum

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Ano: 2016
Selo: Glassnotes/Columbia
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Pop Alternativo, Rock
Duração: 45:03
Nota: 2.5
Produção: Damian Taylor

Sabe a novidade? Este elemento tão importante no mundo de hoje? Ela está em vários lugares, menos em Thick As Thieves, o terceiro álbum do grupo australiano The Temper Trap. Isso é necessariamente ruim? Não, claro que não. O problema é que a mistura sonora que essa galera perpetra já é pouco original desde, vejamos, o início do século 21. É a versão “moderna” do que se entendia por Rock de Arena há três décadas, aquela música pomposa, com guitarras dramáticas, baterias pirotécnicas, letras angustiadas, mas ternas o suficiente para que o povo dos estádios e grandes ginásios possa acender a tela do smartphone em gesto extremo de participação do espetáculo. Já era chato antes, certamente não melhorou com o tempo.

É a mesma vereda pela qual grupos como The Killers, Muse e Coldplay entraram, todos seguindo, mais ou menos, o modelo que U2 lapidou ao longo dos anos 198/90. Naquela época, era justificável a abordagem dos irlandeses, era algo com descendência direta de suas sonoridades mais primordiais e, acima de tudo, funcionava para fãs que acompanhavam a banda o inicio da carreira. Estes grupos herdeiros adicionaram elementos próprios e/ou novos à receita, seja pitadas de Eletrônica, pianos/teclados/angústia grandiloquentes e, em alguns momentos, acenos ao Hard Rock setentista, que é a origem desta música feita pro povo cantar em grandes espaços. Desta forma, senhoras e senhores, não sobrou nada para The Temper Trap adicionar ao caldeirão e ele soa como cópia dos que copiaram quem copiava há tempos. É preciso boa dose de compreensão para ver o (bom) vocalista/guitarrista Dougy Mandagi cantar com estes mesmos trejeitos como se tudo isso fosse solene e de verdade. Mas, pipocas, há muita gente com 15, 16, 17 anos por aí com muita vontade para acreditar em cada piscar de olhos que estes sujeitos mandam em palcos e clipes, portanto, resta a nós o dever da informação.

O disco é ruim? Não, não é. Só é chato, absurdamente previsível, ainda que seja bem produzido pelo badaladinho Damian Taylor, que já pilotou álbuns da Bjork, conferindo aos australianos aquela pecha de músicos tradicionais, porém preocupados com o elemento artístico e moderno em seu trabalho. Sei, me engana que eu gosto. O que Taylor faz é conferir urgência e capacidade às canções, fazê-las convincentes e dramáticas. Ha tentativas de variação aqui e ali, como na boa Alive, cantada em tom mais baixo, com efeitos eletrônicos na voz, baixo sintetizado e bateria bem tocada, exatamente no mesmo estilo que Muse consagrou há uns dez anos. Fail Together é outro exemplo, investindo em sintetizadores que marcam a melodia, conferindo um clima oitentista e descolado, na base do “olha, esses caras também são eletrônicos e vintage”, algo que não funciona mas impressiona os ouvidos mais afoitos.

Summer’s Almost Gone começa seguindo um modelo canastroso de balada dilacerada, mas evolui para uma canção em midtempo, se valendo de trejeitos que indicam uma cruza da dramaticidade de Keane com alguma programação de bateria de The Killers. Fraca. Melhor para Lost, que também cisca no terreno do romantismo da pessoa que está na beira do precipício da humanidade, gritando pelo amor não correspondido/perdido. Com instrumental e vocais derivados do U2 fase 1987, ela soa mais honesta. Riverina é a melhor canção do disco, justamente porque não tem muito compromisso com solenidade alguma, soando como alguma sobra de estúdio de bandas oitentistas como The Cult, com guitarras bem tocadas, bateria de verdade e uma boa performance vocal de Mandagi.

Este disco é milimetricamente pensado para conquistar os “fãs de Rock” mais convencionais, aquele povo que pega pronto o que a mídia oferece, algo que nós, aqui no Monkeybuzz, leitores e jornalistas, não somos, certo? Repito, é um bom produto e nada mais, assim como é um bom pacote de biscoitos/bolachas no mercado da esquina, certo? Próximo!

(Thick As Thieves em uma faixa: Riverina)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.