The Voidz – Virtue

Segundo disco da banda surpreende e se afasta da nostalgia excessiva de trabalhos anteriores

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Ano: 2018
Selo: RCA Records
# Faixas: 15
Estilos: Indie Pop, Synthwave, Synthpop
Duração: 58:09
Nota: 3.5
Produção: Shawn Everett

O perigo da nostalgia é que, por mais prazerosa que seja, ela é fugaz. Podemos nos deliciar com memórias de épocas específicas, mas elas nunca deixaram de ser só isso, afinal reproduzir estas ideias no tempo atual seria retirar os elementos de um contexto específico e, dessa forma, aquilo que confere o sentido nostálgico.

Nesse sentido, The Voidz (antigo Julian Casablancas + The Voidz) é uma banda que talvez tenha se apegado demais ao passado, principalmente pelo grande nome de The Strokes que se sobrepõe quando o nome de Julian é mencionado. Seu primeiro disco foi uma mostra de como elementos de um contexto específico às vezes não fazem sentido fora de sua época, tentando ressuscitar o Indie Rock da década de 2000.

Entretanto, quatro anos após sua estreia, o grupo vem ressignificar aquilo que tanto preza. Virtue é um novo direcionamento em relação às sonoridades do passado, bem como um planejamento bem mas focado. Enquanto seu antecessor se preocupava em tecer ares mais desleixados e com uma estética quase experimental hipster, o presente disco procura deixar as coisas mais concretas.

Batidas eletrônicas nos orientam nas texturas distorcidas criando um tipo de Pop distópico, pelo qual Julian nos conduz com seus famosos vocais. Além disso, há muito mais experimentação de timbres do que antes, contribuindo para que cada faixa nos seduza com sua singularidade ao invés de nos manter afogados em timbres Lo-Fi, como foi o primeiro disco. Ironicamente, esta dinâmica que, a princípio, afastaria o grupo de sonoridades nostálgicas as torna ainda mais relevantes, pois as trazem para um cenário diferente no qual seus sentidos são ressignificados.

Como a relação com The Strokes é inevitável, o disco começa com Leave It My Dreams, o que parece ser uma sobra de discos passados da banda, com melodias pegajosas. Pyramid Of Bones é agressiva em seus timbres de guitarras, ao mesmo tempo que dançante em seu refrão grudento. Em viés mas hipnótico, AlieNNatioN manipula pads e sintetizadores a favor de desorientar o ouvinte para logo depois, com um apelo Pop fortíssimo, reagrupá-lo. All Wordz Are Made Up se aventura em batidas mais Indie, sem abrir mão de um aspecto sombrio da voz de Julian. Pink Ocean, com seu ar Lo-fi, traz estridentes teclados a favor de uma batida constante e Pointlessness encerra com um flerte com a Drone Music que aos poucos ganha contornos psicodélicos.

Virtue é uma surpresa para aqueles que depositavam pouca fé nos trabalhos de Julian Casablancas. Definitivamente, há uma dose de nostalgia presente, mas ela é certeira e trabalhada de novas maneiras, fazendo deste disco um agradável episódio. Misturando Psicodelia, Música Eletrônica, Pop e Indie, The Voidz consegue se erguer de um começo sinuoso e chamar a atenção dentro de um cenário bastante disperso. Um disco nostálgico e futurista.

(Virtue em uma faixa: Pointlessness)

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BOM PARA QUEM OUVE: Surf Curse, Gum, The Strokes
ARTISTA: The Voidz

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.