Resenhas

The xx – Coexist

A solidez e melancolia dedilhada em arranjos impecáveis seguem firmes no segundo disco dos britânicos Romy, Oliver e Jamie

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Ano: 2012
Selo: Young Turks
# Faixas: 11
Estilos: Eletrônica, Indie Pop, Minimal Rock
Duração: 37:33
Nota: 4.0
Produção: Jamie xx

O segundo disco é sempre o grande temor dos artistas. Ele pode ser o fator determinante para sua afirmação e seu posicionamento real perante a música atual e se o que foi feito no primeiro disco não foi apenas uma jogada de sorte. É como um segundo turno, só que o voto nulo não existe por aqui. E é a partir desse impasse que o disco Coexist, o mais novo lançado pelo trio The xx, se desdobra e é analisado por aqui.

Em entrevista dada a um bom tempo antes de sequer começarem dar notícia do que viria, a banda dizia que seu novo trabalho traria influências mais dançantes e animadas, pois o grupo vinha se divertido muito nesse período de pausa. Essa afirmação tremeu as bases de muita gente que se apaixonou pelo primeiro disco homônimo do grupo.

O fato é que o mais novo álbum de Romy, Oliver e Jamie parece ir ao contrário do que foi atestado mais cedo. Hits mais grudentos como os de Crystalised, Islands e o cover de Aaliyah, Heart Skipped A Beat, são praticamente descartados nessa nova fase da banda. O que acontece é uma troca amigável de sonoridades mais ritmadas por outras ainda mais tímidas e soturnas.

Apesar do adeus as já citadas, novas canções como Angels, Chained e Sunset reestabelecem os seus lugares, seguindo a mesma sonoridade do que há de melhor no xx: A guitarra dedilhada, os baixos em destaque, vocais doces e o beat de ritmo meso-acelerado. Reunion, Try e Swept Away trazem os tais ritmos inéditos, sintetizadores altamente adocicados e menos melancólicos, além de referências a instrumentos como a marimba e o teclado em tons mais metalizados.

Uma boa maneira de se explicar o saldo final do disco é traçar um paralelo entre a vida útil dos dois lançamentos com a linha do tempo em que se dá uma grande amizade que chega ao fim por ocasionalidades da rotina e do tempo e pela vinda de outros novos amigos, que ocupam aquele lugar na mesma eficiência e solidez, cada vez mais com o passar do tempo.

Dizer se Coexist emplacaria como o primeiro trabalho físico da banda é motivo à toa pra entrar em parafuso. As onze novas faixas dos britânicos permanecem ao gosto do freguês e seguem praticamente a mesma linhagem, o que mostra que nem sempre a extrema ousadia é o melhor lance para um segundo passo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Massive Attack, Daughter, 2:54
ARTISTA: The xx

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.