Resenhas

Theophilus London – Vibes

Trabalho não é usual e estabelece rapper como uma das vozes mais sexys do Hip Hop

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Ano: 2014
Selo: Warner Bros.
# Faixas: 12
Estilos: Hip Hop, R&B
Duração: 41:00
Nota: 3.5
Produção: Theophilus London, Kanye West

Lembro-me de conhecer Theophilus London pela primeira vez em 2010, provavelmente após dar uma flanada por sites de música na época. Naquele momento, uma mixtape sua estava bombando entre os fãs de Hip Hop e música negra em geral – I Want You mostrava um artista com um espírito distinto dos demais, com groove e sensualidade à flor da pele. Enquanto 808s & Heartbreak de Kanye West já se mostrava um belo e arejado exercício na música, mas que não havia mudado a indústria, pois o excesso de volume em produções do gênero continuava a ser rotineiro, o jovem artista da ilha de Trinidade irradicado no Broklyn parecia ir para o mesmo caminho do famoso rapper de Chicago.

Não é a toa que Vibes, seu novo disco, tem os mesmos atores citados acima – o primeiro como músico principal e o segundo como produtor executivo e eventual participante especial em Can’t Stop. Sua sonoridade, se antes era conduzida por grooves feitos em cima de batidas de Marvin Gaye ou Ellie Goulding, agora parecem caminhar para um Lounge oitentista, com alguns sintetizadores e um tempo desacelerado, mas sempre com seu suingue e sensualidades típicos. O trabalho nos faz lembrar o de Kanye, entretanto de forma menos colérica, muito mais calma e letárgica – quase um Jazz moderno feito para as massas.

A acessibilidade que Theophilus sempre teve ao longo da carreira. muito pelo seu timbre de voz e rimas no estilo de Kid Cudi, parece ser ainda mais bem representada em Vibes esquecendo-se muitas vezes de seu lado rapper para cantar como um herdeiro de Michael Jackson, Prince ou, mais recentemente, Pharrel. Tal constatação pode ser sentida em Figure It Out, com Devonté Heyes, famoso pelo seu trabalho sexy à frente do Blood Orange. Em outros casos, como Smoke, com Shoko, temos resquícios do Chillwave, ou Reggae na ótima Smoke Dancehall, quase um faixa perdida de TV on the Radio.

No entanto, em qualquer um dos casos, a vontade do artista sempre parecer ser a de fazer o público dançar de acordo com seu lirismo ou batidas, ambos que, na maioria das vezes não chamam atenção por serem inéditos, mas simplesmente por mostrarem uma abordagem diferente ao Hip Hop. Não podemos negar que este é um disco que se destaca pela sua acessibilidade, mas principalmente por fugir de clichés – Get Me Right, sua música mais “comum”, tem um ritmo cheio de Soul e aspectos modernos que impressionam. A produção em Heartbreaker – balada feita para um clube ou Can’t Stop com Kanye, acabam absorvendo o ouvinte em um ritmo perfeito para os melancólicos/apaixonados.

Se Vibes não muda o mundo, pelo menos nos mostra um músico que está tentanto trazer novas referências em seu segundo disco. Inspirações e sons a um público cativo de Hip Hop que está se expandindo cada vez mais dentre a sua recente popularização. Ouça, por exemplo, faixas como Do Girls ou Tribe para entendê-lo e querer se envolver mais fortemente na sua música. O estilo de Theophilus é tão próprio quanto o de Chance, the Rapper e, se os samples parecem antigos, o rapper mantém sua sensualidade e coloca os ouvintes frente a mais um trabalho de resgate da Soul Music, tentando torná-la moderna no século XXI.

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BOM PARA QUEM OUVE: Prince, Frank Ocean, Blood Orange
MARCADORES: Hip Hop, R&B

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.