Resenhas

Thundercat – The Beyond / Where the Giants Roam

EP peca por não dar tempo para suas boas composições crescerem

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Ano: 2015
Selo: Brainfeeder Records
# Faixas: 6
Estilos: Funk, Free Jazz, Jazz Fusion
Duração: 16'
Nota: 3.0
Produção: Flying Lotus

Apesar de ter um nome já bem estabelecido no cenário jazzístico, Stephen Bruner, mais conhecido como Thundercat, ao longo dos últimos anos, mais fez participações especiais em outros discos do que aumentou o número de edições de sua própria discografia: To Pimp A Buttlerfly, de Kendrick Lamar, The Epic, de Kamasi Washington e You’re Dead, de Flying Lotus, são algumas das expressivas obras que o o músico participou – todos discos que de alguma forma mudaram o jogo dentro de seus próprios gêneros.

De forma modesta, mais como uma forma de mostrar que seu projeto solo continua vivo, Thundercat lançou um pequeno compacto, que não ultrapassa os 17 minutos. São apenas seis faixas, todas curtinhas, que se por um lado mostram a qualidade do músico e de suas composições, se mostra também à sombra dessas outras obras tão imponentes que Bruner participou ao longo dos últimos meses. Mesmo com Kamasi Washington e FlyLo “devolvendo o favor” e contribuindo, fica a impressão que algo está faltando.

E algo que falta neste EP é tempo para as faixas crescerem. O principal single, Them Chenges, por exemplo, começa muito bem, mas promete uma grandiosidade que não entrega. A faixa se encerra em um fade out no meio do nada bem quando um conjunto de sopros começa a ganhar corpo. É, de certa forma, decepcionante. Não que todas as faixas sofram desse mesmo problema, mas o diagnóstico da falta de tempo para as músicas se expandirem se torna bem notável com repetidas audições – é como abrir um bom vinho e bebê-lo antes de deixá-lo respirar, muito se perde com essa pressa.

Ainda assim, é inegável que Stephen tem talento ao tocar baixo e para criar suas composições oriundas dos desdobramentos do Jazz e Funk. Apesar de curtinhas (e aparentemente inacabadas) nota-se no esqueleto das faixas a boa qualidade nos arranjos e harmonias – e um caminho que promissor, caso fosse seguido até o fim. Mais bem formatado que Apocalypse (2013), The Beyond / Where the Giants Roam é uma obra que promete muito, mas não consegue entregar tanto assim. Mas vale pelo lembrete de que o projeto solo de Bruner ainda vive.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts