Resenhas

Tinashe – Black Water

Misturando Ambient Music com R&B, cantora apresenta uma mixtape tocante e sedutora, indo de referências Pop até Chillwave

 2,940 total views

Ano: 2013
# Faixas: 13
Estilos: Chillwave, Ambient Music, R&B
Duração: 33:45
Nota: 4.0

2013 é um ano de revelações jovens. Seja com os vocais ásperos e letras diferenciadas no novo disco da neo-zelandeza de 17 anos Lorde, ou com um Pop chiclete e mais dançante do mais recente registro de Sky Ferreira, as cantoras mais novas estão cada vez mais nos impressionando por produzir álbuns de qualidade e que propõem sons com doses de experimentalismos acessíveis ao grande público. E agora, no finalzinho do ano, tivemos a oportunidade de ouvir um novo registro que se junta a esse grupo de jovens revelações. Estamos falando da terceira mixtape da moça de 20 anos Tinashe.

A cantora já trabalhou com artistas como Ryan Hemsworth e Legacy, além de ter aparecido na TV como uma participação especial na série Two And A Half Man. Sendo uma artista multimídia, é possível perceber em Black Water a tentativa de fazer um disco que não se limite à estrutura básica de R&B. Obviamente, as características marcante deste estilo estão presentes, mas, ao ouvir as faixas, percebemos novas dinâmicas e sonoridades que dão destaque a Tinashe.

A faixa que abre o disco e dá título à mixtape tem uma batida constante envolta de pads minimalistas e suaves, quase como se o destaque ficasse por conta única e exclusivamente por conta da voz de cantora (embora esse destaque não seja algo tão estrondoso, permitindo que possamos curtir as nuances tranquilas do conjunto da obra). As faixas mostram muito de um elemento sexy, seja pelo já comentado minimalismo do instrumental ou pelo timbre sedutor de Tinashe, podendo ser bem evidenciado em faixas como Vulnerable (com participação de Travi$ Scott) e Middle Of Nowhere.

Outro artifício bacana que o disco usa para prender você a um ambiente de relaxamento e eteriedade são os interlúdios, que ora se traduzem em registros de notícias catastróficas, ora em cantos étnicos característicos da região do Zimbabwe e também por linhas de piano misturadas a sons de pássaros. Faixas com batidas mais presentes e pesadas são representadas por Secret Weapon e 1 for Me, mas ainda assim mantendo o fator erótico do álbum. O barato do disco é que, mesmo com um fator Pop presente e marcante, Tinashe consegue fazer misturas com gêneros menos comerciais como a Ambient Music e Chillwave.

No geral, a obra é o melhor registro da cantora até então. Flertando com referências que lembram The XX, Rhye e Teen Daze, este é um nome que vale ficar de olho quando sua opção de música no momento for algo como “um disco de massagens não-brega que possa ser dançado”.

 2,941 total views

BOM PARA QUEM OUVE: London Grammar, Rhye, The xx
ARTISTA: Tinashe

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.