Resenhas

Toothless – The Pace Of The Passing

Ex-Bombay Bicycle Club estreia em novo projeto

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Ano: 2017
Selo: Island
# Faixas: 10
Estilos: Pop Alternativo, Folk Alternativo, Eletrônico
Duração: 37:25
Nota: 3.0
Produção: Ed Nash, Jack Steadman

O bacana de fazer um projeto parelelo (ou solo, o sei lá o que for) é, primordialmente, ter a chance de desenvolver um trabalho alternativo ao que você já faz, né? No caso de Ed Nash, o próprio Toothless, ter a chance de cantar e gravar deveria significar a entrega de algo distinto do que fazia quando integrava a boa banda Bombay Bicycle Club, certo? Pois não é o que acontece por aqui, a partir destas dez faixas que compõem a estreia do projeto, o bom The Pace Of The Passing, que Toothless está lançando pelas plataformas digitais e em diversos formatos físicos. Talvez isso seja implicância estética de crítico ressentido, vá saber. O que importa – sempre – é a qualidade da obra e Ed está longe de oferecer um produto ruim, pelo contrário, o álbum mostra boas revelações.

O clima por aqui é de Pop/Folk com acento eletrônico e ambiência acústica. Tudo é bem feito e produzido por Ed e pelo vocalista do seu BBC, Jack Steadman. O clima caseiro aumenta ao sabemos que o baterista da banda, Suren de Saram, também está embarcado nesta galera. Uma vez que o grupo está com atividades suspensas até segunda ordem, não espanta que os sujeitos estejam envolvidos em algo tão familiar. As canções são boas, bem feitas, com momentos interessantes e uma certa personalidade no ar. A encruzilhada Pop/Folk-Eletrônica pode significar um atalho simplificador para gente que não tem talento ou mesmo um rótulo marqueteiro na mão de produtores sem alma e identificados com sucesso fácil. Nada por aqui tem qualquer relação com essa lógica, felizmente.

Toothless atravessou boa parte de 2016 anunciando singles pela Internet e preparando os ouvintes. Canções compostas informalmente a partir de momentos de folga nas últimas excursões de BBC, garantiram o frescor necessário para que bons espécimes viessem compor esta simpática estreia. O melhor deles, Terra, é também o mais soturno e misterioso. Com climas que vão crescendo e se intensificando, violões dedilhados, também é a mais psicodélica das canções do álbum, mostrando bons caminhos a serem trilhados. The Sirens, com participação de The Staves, é mais Pop, “pra cima” e até dançante, no sentido que Radioactive, de Imagine Dragons também é. Outra que vai pelo mesmo caminho é Palm’s Backside, com introdução silenciosa que descamba para andamento e refrão animados e explosivos.

Sisyphus e Kairos também são bons exemplos de canções que avançam em direção ao terreno do Pop dançante e contemporâneo, com a primeira mais cadenciada e a segunda um pouco mais enguitarrada. Em ambos os casos, o talento de Ed surge como o fio condutor desta liga dançante e moderninha, com mescla bem equilibrada de eletrônica e concepções acústicas/elementares. Mesmo que haja uma certa preocupação com estes detalhes, nota-se o elemento principal para qualquer empreitada desta natureza dar certo: boas canções Pop.

Toothless é uma alternativa de bom gosto e equilíbrio conceitual para os fãs da boa canção Rock/Pop mais convencional. A eletrônica é ferramenta do todo, os vocais e timbres são bem cuidados, tudo funciona e aponta para boas expectativas. Bom trabalho.

(The Pace Of The Passing em uma música: Terra)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.