Resenhas

TOPS – Bury The Key

Grupo canadense retorna mais pesado e intenso do que o habitual – mas mantém sua doçura característica

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Ano: 2025
Selo: Ghostly International
# Faixas: 12
Estilos: Indie Pop, Synth Pop, Soft Rock
Duração: 35'
Produção: David Carriere, Jane Penny

Cinco anos separam o lançamento de I Feel Alive (2020) e Bury The Key, mais novo registro do grupo canadense TOPS. Nesse meio tempo, o mundo enfrentou uma pandemia e a banda desacelerou sua produção como coletivo para focar em obras solo de seus membros: caso da vocalista Jane Penny com Surfacing (2024) e de Marta Cikojevic em sua estreia com o projeto Marci (2023). O quarteto retorna agora com um som que se por um lado não reinventa suas engrenagens sonoras, parece lapidar a sonoridade mista de synth pop e soft rock que sempre marcou sua trajetória, alcançando um resultado que muda algumas coisas para permanecer igual.

Não me entenda mal: esse não é um disco repetitivo ou redundante dentro de seu catálogo. Há incrementos e novidades, porém a marca do TOPS foi sempre a continuidade ao invés da quebra. Da estreia Tender Opposites até este lançamento, é perceptível a evolução do quarteto como um grupo cada vez mais coeso e com músicos cada vez mais hábeis. Porém, é possível notar também uma banda que não se pauta pelos modismos ou pela pressão de reinventar; e que, no fim das contas, preza por sua identidade e coerência artística.

Dito tudo isso, estamos presenciando um novo momento da banda. A capa, criada pelo artista Robert Beatty (que já trabalhou com nomes como Tame Impala, The Flaming Lips e Oneohtrix Point Never), já entrega um pouco do clima desta nova produção. Entre o Sci-Fi e o soturno, o registro passeia por músicas menos otimistas (visto o single “Annihilation”), além de elencar temas como destino, escolhas difíceis, recomeços e fragilidade da vida. Uma sintonia fina entre o melancólico e o festivo, que recorre ainda à psicodelia e a momentos mais roqueiros e ruidosos para implementar sua vibe “sinistra” (como em “Falling on my Sword”).

Mais pesado e intenso do que o habitual, Bury The Key abraça também sonoridades do soft rock dos anos 1970 e 1980 (caso da ótima “Your Ride”) e do synth pop oitentista (“Wheels at Night”). Mantendo sua doçura de sempre, o grupo consegue elencar temas mais densos sem perder seu apelo pop, fazendo um jogo de luz e sombra que não eclipsa sua identidade. Uma renovação sem necessariamente ter de reinventar a roda.

(Bury The Key em uma faixa: “Your Ride”)

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ARTISTA: TOPS

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts