Resenhas

TOPS – Sugar At The Gate

Novo disco do grupo canadense é uma experiência nostálgica completa e bem produzida

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Ano: 2017
Selo: Arbutus Records/Balaclava Records
# Faixas: 9
Estilos: Dream Pop, Indie Pop, Soft Rock
Duração: 32:00
Nota: 3.5
Produção: TOPS

É engraçado como a música se comporta, às vezes, como uma fotografia extremamente imersiva. Tais quais os retratos, as músicas são registros de uma época, seja ela uma nostalgia distante ou as impressões do presente, expondo não só uma realidade objetiva, mas todo espectro de sentimentos que permeava esta época. Uma foto de um almoço em família vem às vezes acompanhada do cheiro da comida, assim como uma canção sobre um relacionamento terminado traz a amargura e aperto do coração vivos em quem a escuta.

Desta forma, além de estarmos cientes das potencialidades da obra em questão, seu respectivos autores também precisam entender a responsabilidade que é retratar um momento desta forma fidedigna. Um exemplo deste pleno entendimento se revela no grupo canadense TOPS, principalmente ao explorar uma sonoridade Dream Pop com flertes interessantes com o Indie e o Soft Rock. Agora, com o lançamento de seu novo disco, a metáfora com a fotografia nunca fez tanto sentido.

Sugar At The Gates é um grande álbum de memórias e uma experiência nostálgica por excelência. A vocalista e compositora Jane Penny comentou em uma entrevista que a experiência de gravar em Los Angeles, em um espaço grande, acomodando todo o equipamento e livre de um cronograma rígido de estúdio, tornou o processo um “sonho adolescente”. A expressão cai muito bem ao definir o universo explorado nas temáticas e sonoridades, principalmente evidenciado pela presença de timbres de sintetizadores dos anos 1970/80 e um trabalho de engenharia de som que dá às músicas esta sensação ensolarada. Na concepção geral do álbum, é quase como se fossemos guiados por um álbum não apenas de fotos, mas de Polaroids, principalmente pelo apego que o formato tem com a questão do instante, mas também pela estética Indie-hipster. Assim, é uma coleção de momentos de juventude em que nossa imersão é necessária para a plena compreensão o aproveitamento do disco.

Cloudy Skies introduz o disco com um minimalismo sedutor que desemboca em pads imersivos e bem escolhidos, perfeitos para uma primeira viagem. Já Petals agita as coisas dentro do limite do Soft Rock, com arranjos vocais bem feitos e uma linha de baixo digna de um balanço de quadris. Marigold & Gray tem uma melancolia que não chega a ser propriamente triste, funcionando como uma memória distante, como se falássemos “lembra como a gente sofria por amor”. I Just Wanna Make You Real perpetua a malemolência e suavidade conhecida do grupo, em uma das canções mais românticas de Sugar At The Gates. Por fim, Topless é a que mais foge do estereótipo Indie, misturando sensações e ambientações contraditórias, quase como um momento de confusão adolescente em que nossos hormônios estão à flor da pele.

TOPS consolida um disco maduro a partir da experiência de revisitar o passado e, embora os estereótipos estejam bastante presentes durante a reprodução, são eles que reafirmam o aspecto nostálgico. Um nostalgia muito bem feita, diga-se de passagem.

(Sugar At The Gate em uma faixa: I Just Wanna Make You Feel Real)

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BOM PARA QUEM OUVE: Chastity Belt, SALES, Best Coast
ARTISTA: TOPS

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.