Resenhas

Toro Y Moi – Anything in Return

Novo disco aproxima o Toro Y Moi das pistas de dança mas sem esquecer as sua origens no Chillwave

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Ano: 2013
Selo: Carpark
# Faixas: 13
Estilos: Chillwave, Electro House, Synthpop
Duração: 52:00
Nota: 4.0
Produção: Chazwick Bundick

Logo nas primeiras linhas musicais de Anything In Return podemos ver o que o novo disco do Toro Y Moi irá nos proporcionar: músicas funky, relaxantes, com um pé no R&B e agora, com os dois pé na música feita para ser tocada em grandes clubes e reproduzida das mais diversas formas através de remixes. Um disco eletrônico mas com todos os seus instrumentos orgânicos e perceptíveis.

É isso que Harm In Change, primeira música do aguardado novo projeto do ambicioso produtor Chaz Bundick, nos faz pensar em seus poucos mais de quatro minutos. Maturidade, confiança na voz e batidas precisas começam a ser despejadas uma a uma no disco. O single Say That com seu estilo lounge, vocais femininos e letra “She’s alright, I am alright” parecem nascidas para as pistas de dança, ou para algum comercial internacional.

Mas não se deixe pensar que os aspectos Chillwave, representados muito bem em Underneath The Pine, obra-prima do produtor, estão de fora do repertório do disco. Pegue, por exemplo, uma das músicas mais relaxantes do disco, High Living. Uma levada devagar, bem devagar no sintetizador carrega a música, deixando-a extremamente lisérgica e própicia para momentos distantes da sobriedade. Grow Up Calls une ambos os lados do produtor e passa do dancehall ao chillwave, e quase não pede um remix para ser tocada nas pistas indies mais “abertas” pelo mundo.

O R&B pode ser encontrado na maravilhosa Studies com raízes na década de 70, mas com uma roupagem à la Thievery Corporation. O refrão, com uma guitarra que alterna entre riffs e acordes swingados, ficará grudado na sua cabeça durante muito tempo. A maturidade e noção musical do produtor se mostram mais aguçadas quando uma cítara é reproduzida e introduzida na música, na bridge, momento entre o refrão e verso.

Rosa Quartz é um dos grandes momentos do disco devido a sua leveza e calma que parecem feitas para tranquilizar os mais ansiosos. A voz de Chaz, parece brincar com ela mesma ao ser quase surrada e repetir constantemente “Because I Feel Weak”. Touch é a prova de que estamos diante de um ótimo produtor de música eletrônica. Batida minimalista e crescente são perfeitas para o final de tarde em uma tenda eletrônica de um grande festival.

Chaz, que já passou por terras tupiniquins em um show que pareceu fora de seu habitat no Planeta Terra 2011, terá que encarar o palco principal dessa vez no Lollapalloza de 2013. Infelizmente, pois certamente a melhor experiência sonora do projeto deveria ser conferida no palco de música eletrônica. Cake é uma experiência quase Hip Hop do produtor, pedindo um artista do gênero para remixá-la e enche-la de rimas. Aliás, as letras de Anything In Return não são o seu ponto alto, mas não comprometem em nenhum momento justamente por serem feitas para a pista de dança, ambiente que não pede tanta desenvoltura lírica.

Em seu disco mais longo, Toro Y Moi nos entrega um trabalho bonito, preciso e feito para ser reproduzido por Djs mundo a fora. Relaxante e estimulante são dois adjetivos que definem bem este trabalho, demonstrando que Chez está no alto escalão de produção, criação musical e que os limites no eletrônico são quase infinitos quando se tem criatividade e competência. Expectativas não faltam para o show do projeto que irá aterrissar novamente no Brasil no próximo dia 30 de Março.

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BOM PARA QUEM OUVE: Thievery Corporation, The xx, Rhye
ARTISTA: Toro y Moi

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.