Resenhas

Toro Y Moi – Outer Peace

Chaz Bundick encontra sua paz no processo criativo, aproximando o Funk do Synthpop para criar músicas de apelo Pop que não saem da sua cabeça

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Ano: 2019
Selo: Coqueiro Verde
# Faixas: 10
Estilos: R&B, Synthpop, Funk
Duração: 30'
Nota: 4

Quando pensamos na questão do processo criativo como algo que deve almejar uma inovação e busca constante de novas referências, poucos artistas conseguem colocar isto em prática de forma tão explícita quanto Chaz Bundick. Assumindo várias facetas ao longo dos anos, seu principal projeto Toro Y Moi é o terreno em que podemos ver mas claramente uma diversidade manifesta em sua discografia.

O interessante é que, a cada registro, Chaz parece focar em algo específico para trabalhar e desenvolver suas habilidades, seja na escolha de timbres mais nostálgicos (Underneath The Pine, 2011), flertes com o House (Michael, de seu projeto Les Sins) ou estruturas de canção mais desenvolvidas (What For?, 2015). Agora, com seu novo trabalho, parece que o produtor e compositor norte-americano olha para sua obra de uma forma subjetiva e crítica, tornando seu passado a própria referência e um novo passo para Toro Y Moi.

Outer Peace é um disco sobre o processo criativo, bem como o próprio Chaz. Em uma entrevista, ele comentou sobre a composição pode ser um movimento bastante solitário, no qual entramos em contato com nosso pensamentos e, não raro, nos perdemos neles. Daí vem a necessidade de encontrar uma paz exterior, na qual refletimos e descansamos de um exercício mental intenso.

A ideia do disco é justamente essa, porém, é curioso que o lugar em que Chaz procurou encontrar sua paz seja justamente algumas referências de seus primeiros discos, principalmente sua estreia em Causers Of This. Temos aqui uma inegável aproximação de uma sonoridade bem Funk, focando em uma produção pesada que utiliza todo o arsenal de modulações e efeitos sem parcimônia. Mesmo com este foco, Chaz não deixa de lado a aptidão que desenvolveu tão bem de criar canções cativantes e cujo apelo Pop faz com que estas músicas não desgrudem da cabeça.

Canções como Ordinary Pleasure trabalham com percussões suingadas aliadas a beats bate estaca, misturando o melhor dos dois mundos: o Funk e o Eletrônico. Laws Of The Universe, por sua vez, é um ótimo exemplo de como a intensa miscelânea de efeitos não impede o ouvinte de ter uma experiência organizada e bastante orgânica, mesmo envolto em tanto processamento de áudio. Indo encontrar paz na companhia de outros artistas, Miss Me se alia à produtora e cantora ABRA para um suave percurso no que tange uma divisão muito tênue entre o Hip Hop e o Ambient.

O single Freelance procura evidenciar nos primeiros segundos o peso da batida, imprimindo um timbre forte de bumbo e alternando nos contratempos com um baixo dançante e cativante. Por fim, em seu último momento de paz exterior (que também é interior), Chaz nos entrega 50-50, uma faixa com batida constante e repleta de reverbs, na tentativa de mostrar a amplitude da calmaria que este exercício de procurar um refúgio além de si mesmo pode proporcional.

Assim, nesse movimento meio narcísico de encontrar a paz em uma persona do passado, Toro Y Moi ganha mais um capítulo bem escrito em sua trajetória e nós, um disco que funciona tanto como um poderoso disco para a pista de dança, quanto um esconderijo introspectivo para escutar com fones de ouvido dentro de casa. Um refúgio dançante ou uma pista introspectiva, mas, de qualquer forma, um disco orgânico e caprichado.

(Outer Peace em uma faixa: Laws of The Universe)

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ARTISTA: Toro y Moi
MARCADORES: Funk, R&B, Synthpop

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.