Resenhas

Trevor Powers – Mulberry Violence

Nova fase do músico fica marcada por aspectos noturnos que acompanham sua liberdade criativa

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Ano: 2018
Selo: Baby Halo
# Faixas: 10
Estilos: Indie, Pop Alternativo, Eletrônica
Duração: 36'
Nota: 3.5

Se sob a alcunha Youth Lagoon o músico Trevor Powers fazia músicas de aspecto crepuscular – um lusco-fusco de ritmos, timbres e interpretação -, Mulberry Violence parece ter abraçado a madrugada para mostrar um lado de sua personalidade distante da luz. Entre o neon e o Gótico, ele trabalha inspirações vindas da literatura e de viagens para criar uma sonoridade densa, Eletrônica e dramática.

Aquele seu vocal fraquejante que já conhecíamos encontra aqui uma nova carga sentimental. Por cima dos timbres mais pesados, ele parece lutar contra sua própria fragilidade e fazer amizade com os fantasmas que cercam sua poesia (inclusive o do finado Youth Lagoon). A audição revela um trabalho ambicioso e emocional, conduzido por uma força criativa deslumbrada consigo mesma e com as possibilidades de um novo começo a ponto de se deixar levar pela imaginação e esquecer algumas pontas soltas pelo caminho.

É interessante notar que se Clad in the Skin é uma das melhores músicas da obra, com seu diálogo com a música Pop de hoje sem perder aquele aspecto mais “torto” do Indie, ela pouco representa suas companheiras de repertório – algo que a vinheta instrumental Pretend It’s Confetti faria muito melhor. Há algo próximo de The Weeknd em faixas como Film It All (novamente em uma comunicação com a produção musical de hoje), mas Mulberry Violence tenta seguir muito mais na direção de intérpretes como Björk e Thom Yorke, misturando um instrumental espesso com um vocal que quer ser orgânico mesmo tão processado eletronicamente.

Trevor Powers ainda não está próximo desses grandes nomes, embora pareça ter esse alvo. O álbum, ainda que acima da média, dá sempre margem para a impressão de uma autoconfiança exacerbada que logo se cansa, ou se perde noite adentro em meio a tanta liberdade criativa. Haverá quem se identifique com a proposta vampiresca e melancólica que o artista aqui expressa, mas a maioria, independente de ter saudades ou não de seu passado, observará um músico que realiza um trabalho com mais aparência do que conteúdo.

(Mulbery Violence em uma música: Dicegame)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.