Resenhas

Tulipa Ruiz – Dancê

Cantora exibe grande maturidade como intérprete em canções deliciosamente Pop

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Ano: 2015
Selo: Pomello Produções
# Faixas: 11
Estilos: Pós-MPB, Indie Pop, Disco
Duração: 49:00
Nota: 5.0
Produção: Gustavo Ruiz

É fácil, e um tanto óbvio, afirmar que Dancê é o trabalho mais maduro de Tulipa Ruiz – sendo ele o terceiro álbum de uma caprichada discografia -, mas é interessante como a obra chega aos ouvidos também como o mais jovial de seus lançamentos, seja pelo grande pique percorrido da primeira à última parte ou pela vontade que dá de chegar em casa (da escola) e dançar o disco a tarde toda.

Não há, porém, qualquer aspecto ingênuo em Dancê – é um registro que sabe bem aonde quer chegar e alcança seus objetivos com grande ambição. A ideia parece ter sido criar um disco de canções Pop de uma forma nostálgica, como se soubesse cutucar as referências certas no ouvinte, aquelas músicas que ouvimos a vida toda, querendo ou não, entre FMs, programas de TV e velhos discos.

As três primeiras faixas talvez sejam as que melhor demonstram isso. Prumo, com seus instrumentos de sopro bacaníssimos, situa o ouvinte no universo Tulipa Ruiz ao trazer aquele seu vocal tão característico (ela sabe como poucos fazer com que seu timbre seja, ao mesmo tempo que singular, funcional à sua interpretação, ao seu modo de cantar) com força sem tirar o sorriso do rosto. Proporcional continua isso dando o tom dançante dos arranjos e o conteúdo Pop das letras que imperam no disco. Fechando a sequência, Tafetá, dueto com João Donato, pode parecer apenas mais uma mera Bossa contemporânea em seus primeiros momentos, mas logo nos damos conta de que estamos diante de algo muito mais poderoso e marcante.

E essa talvez seja a palavra que melhor define a relação das faixas dentro dessa dinâmica. Mais do que em qualquer um dos seus trabalhos anteriores, cada música aqui possui uma enorme personalidade, tendo em comum principalmente essas características do vocal da moça e da nostalgia Pop dançante. Expirou, Físico e Elixir são três das mais cativantes do disco, daquelas que você escuta uma só vez e ela já encontrou espaço na sua memória. É um álbum que esbanja carisma.

Para fechar, Oldboy traz o momento mais livre de Dancê, com um saxofone certeiro em linhas tortas em dueto com a cantora, antes de Algo Maior encerrar a obra como a última cena de um grande musical, com todos os atores no palco em um momento grandioso antes das cortinas se fecharem. Quando ela acaba, antes do iminente repeat, já ficou claro que o que acabamos de ouvir foi um grande álbum.

É um disco para entrar na dança e fazer a festa, para sorrir lembrando de alguém por causa das letras espertas ou para virar o jogo em qualquer monotonia. Além de tudo, ficam ainda um dos encartes mais bonitos dos últimos tempos e a consagração completa de Tulipa Ruiz como um dos nomes mais merecedores de atenção, respeito e carinho em nossa música hoje. Dê o play e dance como se não se importasse com quem está olhando.

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BOM PARA QUEM OUVE: Qinho, Leo Cavalcanti, SILVA
ARTISTA: Tulipa Ruiz
MARCADORES: Disco, Indie Pop, Ouça, Pós-MPB

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.