Resenhas

Twin Peaks – Wild Onion

Banda consegue compilar faixas divertidas e viciantes que mostram seu talento e influências

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Ano: 2014
Selo: Grand Jury
# Faixas: 16
Estilos: Indie Rock, Power Pop, Guitar Pop
Duração: 40:03
Nota: 3.5

Complicado resenhar Wild Onion, segundo álbum da banda de Chicago Twin Peaks. Sinto que avaliar um álbum completo destes garotos de 19 anos é uma injustiça com o som que fazem.

Com 16 faixas, mas apenas 41 minutos de duração, o disco é um sopro de atitude em um mercado bastante plastificado – e isto não é uma crítica. Dia após dia, nos deparamos com uma série de bandas jovens produzindo álbuns pensados demais, calculados demais, com tudo muito bem amarradinho e planejado para um nicho de público que aparentemente – não tenho números para sustentar meu argumento – tem se encantado por ouvir um álbum completo, principalmente com a consolidação do vinil como formato físico relevante novamente.

As referências de Twin Peaks são antigas, tudo que está aqui já foi feito, mas a atitude e a qualidade em produzir ótimas canções não são fáceis de encontrar, principalmente em uma banda com tão pouca experiência. A displicência e o descompromisso são usados de um jeito milimetricamente calculado para produzir faixas viciantes, com refrões pegajosos, linhas de baixo contagiantes e bons riffs de guitarra.

Se quer entender qual é a energia que se destaca no som do grupo, basta ouvir Making Breakfast. A faixa já tinha me chamado a atenção ao vivo no Pitchfork Festival e, na primeira audição desatenta do disco, me fez parar na hora ao ser fisgado pela levada da canção. O que chama a atenção nela é a construção divertida, Pop, muito bem escrita, com um refrão preciso e que te prende instantaneamente.

É nela que evidenciamos um dos elementos mais importantes de Wild Onion, a variação de vocalistas. Aqui, ouvimos dois dos garotos, um com um grave “Tom Pettyano”, mas pendendo pro cômico e o outro com uma voz gritada, no melhor estilo Mick Jagger – ou talvez Foxygen, se considerarmos a idade deles. Essa variação dá uma dinâmica muito legal, como um descanso pro cérebro e pros ouvidos ao curtir um disco que vai tão direto ao ponto.

Sinto aqui um frescor semelhante ao que me atraiu em Mac Demarco, revisitando muito do passado de uma maneira muito particular, descontraída, mas como se usasse essa descontração como uma máscara para esconder o cuidado que tem com a construção de cada música. Acredito que seja impossível criar faixas tão impecáveis quanto I Find A New Way, Good Lovin’ ou a balada Ordinary People sem saber o que está fazendo.

É por isso que considero um pouco injusto avaliar a qualidade da banda Twin Peaks por seus álbuns e EPs. Eles tem uma atitude rara na música, fazem um dos melhores e mais divertidos shows que vi em muito tempo, agradando uma variedade até improvável de fãs no festival, mas não sinto que foram feitos para serem ouvidos em um disco, do começo ao fim, tentando buscar um conceito amarrado para aquilo tudo ou tentando situar a banda em algum movimento. Eles fazem boa música, são talentosos, divertidos e merecem sua audição. Se eu pudesse garantir que você terminasse a leitura com uma imagem deles na cabeça, seria esta.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.