Resenhas

Two Door Cinema Club – Gameshow

Terceiro disco do trio irlandês traz reinvenção saudável ao Indie Pop dançante já conhecido

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Ano: 2016
Selo: Parlophone
# Faixas: 12
Estilos: Indie Pop, Synthpop, Eletrônica
Duração: 40:28
Nota: 3.5
Produção: Jacknife Lee

Como se inova o Pop? É uma tarefa bastante complexa tentar incorporar elementos novos e experimentais a um gênero cujos rumos quase sempre são definidos pela aprovação de seu público. Uma das soluções encontradas por muitas bandas tem sido provocar uma nostalgia de décadas passadas, como Tame Impala e Wild Beasts fizeram em seus últimos discos. Trazer essa mistura traz uma solução curiosa, pois não gera necessariamente um elemento totalmente original, mas a junção destas estéticas sonoras produz novos significados e, assim, o produto final é bastante interessante. Assim, quando Two Door Cinema Club resolveu começar a produzir seu terceiro disco, tinha um belo desafio nas mãos: tentar atualizar um repertório inteiramente baseado em influências Indie, um gênero cuja atualidade oscila no genérico.

Assim, nasceu Gameshow, um disco que deixa claro que os anos 1980 ainda trazem elementos extremamente pertinentes ao Indie Pop. Com um registro assinado novamente pelas mãos de Jacknife Lee (U2, R.E.M, Snow Patrol), o trio compôs um trabalho que traz viva a identidade da banda, mas que resolveu apostar firmemente na inclusão de sintetizadores e baterias eletrônicas como forma de ir além do quadrado Indie Pop. Os retângulos em neon da capa já anunciam o tom do disco: aquela vibe Miami Beach das discotecas lotadas. Não confunda isto com o estereótipo preferido dos produtores de Vaporwave, afinal, aqui toda esta estética é um verniz final que dá um brilho a pegajosas melodias, arranjos simples e dançantes que sempre foram uma especialidade da trio irlandês.

Os singles Are We Ready (Wreck) e Bad Decisions são a porta de entrada para o Two Door Cinema Club com muito laquê e muitos raios laser, trazendo refrões Pop extremamente valiosos para a construção das faixas. Ordinary já traz sintetizadores mais estereotipados da década de 80, principalmente com o ritmo constante e os sequenciadores sustentando repetidamente as linhas de baixo. A faixa que dá título ao registro explode com uma aura mais Rock e distorcida, ainda que se apoie bastante naquela tentativa forçada de Pop Rock, como o U2 fez com Vertigo. Fever arrisca um começo com pads hipnóticos e misteriosos mas logo depois revela ser um interessante jogo de samples de cordas. As batidas são bastante parecidas durante o registro, mas cada qual possui um charme único que traz novas formas de apreciar a música, como em Surgery que tem um caráter mais robótico. Por fim, Je Vivens De La é um retrato vivo da Disco Dance: dançante, empolgante e envolvente.

Two Door Cinema Club traz uma boa alternativa aos discos do passado e faz um exercício profundo de auto crítica ao dosar bem o quanto de novidade e de nostalgia deve imprimir em seu álbum. Mantendo-se atual, o trio nos entrega uma obra de qualidade que nos dá mais vontade de esperar por novos discos e novas maneiras de atualizar uma sonoridade que já está clara: para dançar até não poder mais.

(Gameshow em uma faixa: Surgery)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.