Resenhas

Ty Segall – Manipulator

Melhor a cada lançamento, músico faz seu disco de maior destaque até então

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Ano: 2014
Selo: Drag City
# Faixas: 17
Estilos: Garage Rock, Rock Psicodélico
Duração: 56:01
Nota: 4.5

Seguimos Ty Segall já há algum tempo e, ao longo destes anos que temos acompanhado o músico em seus mais diversos projetos, notamos uma coisa: ele só melhora a cada novo lançamento. Com uma produção média de dois ou três álbuns por ano, há bastante meterial de Ty por aí; todos esses, bons argumentos para usar uma lógica bem básica e dizer que este é seu melhor álbum até então. Sabe aquilo de “a prática leva à perfeição”? Aplica-se bem aqui.

Ty testou tanta coisa em seus álbuns e projetos anteriores que parece agora saber moldar exatamente seu som em algo que vai agradar não só seu público cativo, mas também os “ouvintes comuns”. Se o experimento “Pop” de Twins foi bom um ponto de partida para sua fase mais, digamos, palatável, com Manipulator, o músico leva seus testes a um nível completamente diferente. Parte dessa evolução vem também de seu mais recente álbum solo, Sleeper, lançado no ano passado. De certa forma, é como se esse novo lançamento de Segall agrupasse esses dois discos, buscando, ainda em outros momentos de seu passado, os pontos que mais deram certo e os trazendo ao presente. Não é nehum tipo de autoplágio ou algo parecido, mas um processo de autoconhecimento e evolução.

Juntando o lado “Pop” de um com a sensibilidade acústica do outro, surgue um disco completo e que contempla o ouvinte com diversos momentos diferentes. Em 17 faixas, há aqueles mais garageiros, típicos da música de Segall (It’s Over), há outros em que os timbres sessentistas de bandas como MC5 e The Kinks surguem (The Faker), alguns com o Blues como norte (Feel), outros em que acústico e elétrico se complementam (The Clock e The Hand) – até mesmo um conjunto de violinos está presente em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melodicos. Tudo isso aparecendo uma ordem que valoriza a escolha dos timbres e dos “estilos” com que Ty vai fazer sua música – sanando o maior “erro” de Twins.

Com uma produção impecável, mesmo que o fuzz seja o carro chefe de grande parte das músicas, a mixagem consegue deixar cada coisa em seu lugar e mostrar todos os elementos das canções muito claros. Um dos melhores exemplos disso é Feel. Explodindo no refrão, explorando muito bem ponte e introdução, usando muito bem os timbres de guitarra e baixo, e, sobretudo, criando um bom ritmo e melodia, ela ganha destaque com uma das melhores canções do disco. “Pop” mesmo não sendo, a faixa mostra o habilidade de Segall em tranformar um robusto Garage Rock em algo que mesmo quem não está acostumado com o peso do gênero consiga se identificar – e esse é, talvez, o maior mérito do disco como um todo.

Não é à toa que Segall demorou um ano para lançar Manipulator (pode ser um piscar de olhos para gente como My Bloody Valentine, mas certamente um prazo incrivelmente longo para alguém do Garage Rock). E esse tempo que separa esse de seu último lançamento serviu não só para que o músico aperfeiçoasse sua obra, mas para que a lançasse somente quando tudo estivesse incrivelmente alinhado. Sim, esse é um disco de Garage Rock, mas não há nenhuma ponta solta ou algo que fora de seu lugar. E é por isso, este é, até agora, o melhor disco de Ty Segall.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts