Resenhas

Ty Segall – Sleeper

Produtivo músico foge ao seu habitual som distorcido e dissonante lançando obra intimista, confidencial e acústica

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Ano: 2013
Selo: Drag City
# Faixas: 10
Estilos: Folk Psicodélico, Folk Rock, Singer-Songwriter
Duração: 33:54
Nota: 3.5
Produção: Ty Segall
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fsleeper%2Fid68654393

Com mais de uma dúzia de álbuns lançados, o prolífico (porém nunca prolixo) músico de 26 anos, Ty Segall, lança seu novo Sleeper, desta vez longe de seu estilo habitual de Garage Rock.

Segall, que além de seu projeto solo participa de inúmeras outras bandas, como Sic Alps, White Fence, Epsilon e Fuzz, se afasta das distorções dissonantes de praxe e se recolhe no ambiente intimista da voz e violão harmonizados em acordes maiores. Não me parece, todavia, que o artista esteja se reinventando, ou sequer saindo de sua zona de conforto (crítica que me parece, por uma via equivocada, constantemente utilizada quando um artista simplesmente troca a habitual guitarra pelo violão, ou vice-versa), mas sim que respeita com naturalidade a necessidade de mudança por conta do novo clima de suas músicas nesta etapa.

Após uma sequência desafortunada de eventos envolvendo perdas familiares, como a morte do pai por conta de um câncer e o consequente fim de seu relacionamento com a mãe, Segall se aproxima do clima confidencial, temperando as novas canções num tom extremamente pessoal, numa grande generosidade consigo mesmo e seu público ao se expor de tal maneira, baixando o volume e fazendo uso dos instrumentos acústicos para tal (Segall gravou todos eles, embora a grande maioria das faixas se resumam a voz, violão, violino e uma percussão rudimentar).

Num clima de recuperação pessoal pós-crise, que me lembra muito John Frusciante na fase de Niandra Lades and Usually Just A T-Shirt (em virtude, justamente, dos motivos pessoais que levam o artista a criar uma obra extremamente pessoal e acústica numa determinada fase difícil da própria vida), Segall busca a influência sonora do Folk Rock Psicodélico do início dos anos 70 para compor a obra, que remetem a grandes nomes como Syd Barret e Donovan.

Ao ouvir o álbum, mergulhe no ambiente catártico do próprio quarto, assim como o artista fez neste lançamento. Com ele, Ty Segall prova que sabe se adaptar às próprias necessidades sem baixar o ritmo criativo, e nos mostra que, mesmo que venham as intempéries, não vai parar de produzir boas músicas tão cedo. Muito pelo contrário…

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BOM PARA QUEM OUVE: Donovan, Syd Barret, Fuzz
ARTISTA: Ty Segall

Autor:

é músico e escreve sobre arte