Resenhas

Ultraísta – Ultraísta

Repetição de temas e composições acabam decepcionando em um dos grandes projetos de 2012

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Ano: 2012
Selo: Pink Misty
# Faixas: 10
Estilos: Synthpop, Dream Pop, Eletrônica
Duração: 37:45
Nota: 2.5
Produção: Nigel Godrich

Ultraísta é uma daqueles projetos que chamam atenção logo de cara pelos nomes envolvidos. Nigel Godrich, produtor histórico e acompanhante de longa data do Radiohead e membro atualmente do Atoms for Peace, se uniu ao baterista, produtor e também membro do mega-grupo-de-2013 Joey Waronker. Juntos, eles são a base para a voz delicada e viajada de Laura Bettinson, vocalista do grupo Eletrônico Dimbleby & Capper.

O som do projeto tende ao Eletrônico, dominado por Nigel, que participou e influenciou diretamente na transição do som do Radiohead, o tornando mais inclinado para esta vertente sonora. Logo, vemos sintetizadores, teclados e efeitos eletrônicos, o que torna o som do Ultraísta um Synthpop. Laura procura sempre explorar a sua voz com uma sobreposição de camadas, colocando-a em loop, com backing vocals que ecoam ao longo das faixas, trazendo uma aura viajada e agradável. Ao fundo, Waronker demonstra porque é um dos bateristas e produtores mais requisitados no meio musical. Os padrões de sua bateria são, de longe, o aspecto mais elaborado do grupo, com introduções interessantes e acompanhamentos precisos e criativos.

Canções como Our Song demonstram bem o que é o som da banda, e essa é uma das melhores músicas do disco, ao unir um sintetizador simples, mas que flui bem com a voz de Laura, enquanto Waronker cria ao fundo uma percursão tribal com alguns toques eletrônicos. O refrão é grudento e a atmosfera da música tem alguns toques de Dream Pop. Static Light continua a vertente viajada-eletrônica e acrescenta toques de um Trip-Hop que lembra muito o Portishead, seja pela levada na bateria, pelos baixo pesado com certos toques “industriais”, ou pelo jeito de Laura cantar.

No entanto, ao escutar o single Smalltalk, Strange Formula ou Easier, nos deparamos com um fato estranhamente comum: as músicas seguem o mesmo padrão de outrora: loops no vocais sendo repetidos, uma introdução elaborada na bateria e um sintetizador que oscila entre o lugar comum e uma pseudo-viagem. Isso acaba depreciando um pouco o disco, dando a sensação que estamos diante de um shuffle, mas com a mesma atmosfera e estrutura. São boas músicas, mas o gosto amargo ao fundo e a impressão de que estamos vendo mais do mesmo acabam incomodando.

Tal semelhança chega ser mais escancarada quando colocamos Party Line e You’re Out lado a lado. A introdução é quase igual, a levada difere um pouco, com a primeira, uma pseudo-balada, composta em um tempo mais devagar, enquanto a segunda é agitada devido à repetição dos backing vocals de Laura ao fundo. No entanto, ao fim, o sentimento passado entre ambas é exatamente o mesmo, o de uma viagem sonora com acordes e padrões parecidos.

A repetição de temas e a falta de uma maior criatividade da banda acabam se tornando o maior dilema do grupo. Vemos em suas canções a capacidade de se criar um som interessante, mas o resultado ao fim acaba não fazendo jus aos membros envolvidos no projeto. A verdade é que, nesta estreia do Ultraísta, duas ou três músicas valem pelo álbum inteiro. Escute-as e tenha a vantagem de saber o que se passa na obra por completo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Poliça, Garbage, BEAK>
ARTISTA: Ultraísta

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.