Resenhas

Van Morrison – Three Chords and the Truth

O artista aprofunda sua mitologia pessoal em novo disco que reafirma o seu estilo que ainda persevera

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Ano: 2019
Selo: Exile
# Faixas: 14
Estilos: Rock, Blues, Folk
Duração: 77'
Produção: Van Morrison, Jim Stern

Van Morrison é uma instituição irlandesa da música mundial. O artista começou cedo no ofício, por volta dos 12 anos de idade, fruto da influência de seu pai que era colecionador de discos. Em 1964, se tornou uma figura conhecida como vocalista da banda Them, projeto na mesma linha de pensamento de The Animals, The Zombies ou semelhantes – conjuntos que, vistos à distância, configuram uma espécie de resumo sessentista de nosso imaginário musical. Desde então, ele vem percorrendo sua trajetória e, agora, aos 74 anos de idade, ainda exibe os traços genéticos daquela música que o fez expandir fronteiras e ficar conhecido no mundo todo.

Hoje em dia, mais do que estabelecido na música que sabe fazer, Morrison é uma fonte inesgotável de composições. Nos últimos anos gravou quatro trabalhos, lançando dois por ano: Roll With the Punches e Versatile em 2017 e, em seguida, The Prophet Speaks e You’re Driving Me Crazy em 2018. Mesmo agora, com o lançamento de Three Chords and the Truth, declarou estar trabalhando já nos próximos dois registros.

O título do álbum faz referência à fala do compositor Harlan Howard, que certa vez declarou que “três acordes e a verdade” eram o suficiente para compor uma boa canção. De fato, as músicas seguem esse preceito de simplicidade. Além do que, são produzidas de acordo com um senso estabelecido de “gêneros musicais”, sendo que o R&B, o Folk e o Rock n’Roll são estilos que aparecem sempre respeitando a fórmula e suas definições canônicas. A produção, apesar de bastante direta, soa como uma big band, e nos faz imaginar músicos consagrados lotando a plateia de alguma casa de show que leve “Hall” no nome. Three Chords And the Truth não possui a delicadeza de outrora, a mágica de álbuns como Astral Weeks por exemplo, mas, por outro lado, ostenta canções tecnicamente impecáveis nas quais o peso do tempo se faz sentir, sobretudo nos timbres de voz.

Em geral, Morrison compõe a partir de um senso comum de vida moderna. “Nobody in Charge” fala com sarcasmo sobre o Brexit, “Fame Will Eat the Soul” resmunga sobre as agruras da fama e “Early Days” exercita a nostalgia de tempos melhores já passados. No total, as catorze faixas que somam mais de uma hora de duração revelam o profissionalismo do artista, mas uma postura ruminativa diante da vida. Morrison canta, toca e compõe de acordo com a norma que aprendeu e, assim, evoca nomes como Cat Stevens, Paul Simon ou James Taylor. Ao fazê-lo, reafirma a sua marca registrada. No entanto, conforme envelhece, mais longínqua se torna a sua reminiscência e, consequentemente, mais profunda a sua própria mitologia pessoal.

(Three Chords and the Truth em uma música: “Nobody In Charge”),

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ARTISTA: Van Morrison
MARCADORES: Blues, Folk, Rock

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.