Resenhas

Veenstra – People & The Woods

Mantendo a base dos discos anteriores, novo álbum chega um pouco mais brando e entristecido e mantendo a qualidade já observada

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 11
Estilos: Ambient Music, Post-Rock, Dream Pop
Duração: 47:43
Nota: 3.0
Produção: François Veenstra

”About living together and then suddenly being alone” (“Sobre viver junto e de repente se estar sozinho”). É com essa forte frase que o jovem garoto curitibano, com a alcunha de Veenstra, resume seu novo discos, People & The Woods.

Com apenas 17 anos, Veenstra agora completa sua trilogia de álbuns, sendo este o segundo lançado ainda neste ano, com uma produção melhorada, saindo um pouco do toque Lo-Fi que se ouvia anteriormente, mas mantendo seu som etéreo e bem explorado. Tal exploração se deve a uma não padronização negativa de uma mesma tônica. O músico consegue trazer uma sonoridade de ambiente misturada com Dream Pop, Post-Rock, e uma psicodelia experimental. Ou seja, utilizando uma mesma linha e base, mas sabendo explorar quais caminhos tomar para não tornar a obra massante ou cansativa – o que aliás já era feito nos dois álbuns passados.

Dentre as onze novas faixas, temos destaque para a terceira parte da trilogia “intradiscos” gerada por Mount Fade, que se em Journey to the Sea vinha energética e com uma bateria pulsante, nesse novo trabalho ela se encerra com sua terceira parte em uma das mais delicadas notas que o disco todo apresenta, e tudo isso em um volume baixo, o que a faz soar quase como uma cantiga de ninar. Chanter é outra que chega quase como um sussurro, porém com menos parte melódica e lírica. Dentro todas, a que mais se aproxima de ser uma canção, no sentido de possuir voz, é – ironicamente – A First Silence, que possui como primeiro plano vocais arrastados e triste em meio a um violão de aço. Num apanhado feral, o novo disco chega até a se apresentar mais triste, com menos faixas com as tradicionais subidas e crescimentos do Post-Rock que ouvíamos em Journey to the Sea e Six Months of Death, encerrando a trilogia com uma bonita cereja cinza no bolo.

Assim, o trabalho de Veenstra mais uma vez chega belo e parecendo um álbum de imagens e cenas das mais inóspitas, para onde fugimos de corpo e mente. A trilogia se fecha bem com People & The Woods mantendo a qualidade observada nos dois trabalhos anteriores e nos deixa com a pergunta sobre o que virá a seguir.

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BOM PARA QUEM OUVE: Helios, Craft Spells, Sigur Rós
ARTISTA: Veenstra

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).