Resenhas

Veenstra – Six Months of Death

Curitibano faz um Post-Rock que foge dos clichês e impressiona pela qualidade de produção e composição

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 9
Estilos: Post-Rock, Ambient Music
Duração: 34:59
Nota: 3.5
Produção: François Veenstra
SoundCloud: /tracks/88567919

Já tinhamos ouvido o que o jovem curitibano de apenas 18 anos Veenstra tinha a nos mostrar em seu primeiro disco, Journey To The Sea: um trabalho de Post-Rock muito coeso e introspectiva, no qual ouvíamos pelas dez faixas que o registro possui um talento indiscutível de composição e produção musical. Ao anunciar o lançamento de seu segundo disco, ficamos curiosos para saber o que mais podería sair da mente do jovem Lorenzo Molossi neste seu Six Months Of Death.

Ao compor um disco de Post-Rock, é comum ouvir algum tipo de opinião que rebaixe o estilo a uma definição simples como “sintetizadores e piano repetindo mesmas notas reverberadas”, tornando-o algo fácil de se fazer. Aos detentores dessa equivocada opinião, talvez este disco seja um ótimo exemplo do quanto é possível explorar dentro de suas possibilidades. O fato de ser um gênero instrospectivo e, na maioria das vezes, feito com um intuito de ser uma música para se aprofundar (seja no aspecto interpretativo ou para viajar) dá abertura para que varias referências e influências possam se agregar às composições.

Há faixas que escutamos toques de Folk misturados à já conhecida ambientação gélida do trabalho de Veenstra, evidenciada em Evening e The Statues. Encontramos também um lado mais pesado, que pode lembrar em algum momentos algumas beiradas do Shoegaze, visto principalmente na composição A Bear/A Fire/A Cave.

O divertido deste disco, também, é tentar ver que artistas Veenstra parece escutar para se inspirar em suas instrospectivas e belas músicas. É possível ver alguma influência da clássica música do The Doors, The End, na faixa Stone Burial (ainda que na faixa do curitibano ouvimos algo mais fúnebre e reverberado que na composição de Jim Morrisson). Thom Yorke parece ser um modelo de timbre para o François, já que nas faixas que ele utiliza da sua voz (seja para declamar letras ou simplesmente para executar uma melodia simples) a identificação com o líder do Radiohead é imediata. É possível escutar essa identificação nas faixas Eavesdrop e An Altar Near The Skies. Por último, uma referencia vocal que não pode deixar de ser comentada: Jónsi, vocalista do Sigur Rós, demonstrada com clareza na primeira composição do disco, Negative Space (uma das, se não, a mais bela)

Continuando com um bom trabalho, Six Months of Death é mais um indicativo de que é bom ficar de olho em seus futuros trabalhos, uma vez que ele consegue escapar dos clichês do Post-Rock e instigar o ouvinte em praticamente todo o registro.

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BOM PARA QUEM OUVE: Amiina, Helios, Sigur Rós
ARTISTA: Veenstra

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.