Resenhas

Viis – Canções de Bad

Disco solo do compositor é corajoso em encarar frustrações e angústias

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Ano: 2016
Selo: Sagitta Records
# Faixas: 7
Estilos: Dream Pop, Synth Pop, Retrowave
Duração: 28:00
Nota: 3.5
Produção: Viis

É estranho afirmar isto, mas nossas bads são coisas muito boas. Contrário à tradução literal para o português, o espectro emocional que envolve este nome é algo que nos faz aprender, às vezes com mais afinco e certeza, ensinamentos para encarar a vida de uma forma melhor. Como o filme Divertidamnte da Disney/Pixar ilustra, não devemos fugir de nossas tristezas, e sim, acolhê-las, sendo completamente antinatural tentar viver uma vida sem frustrações e sentimentos denominados de negativos. A partir disso, chegamos ao disco solo de estreia de Diego Souza, uma obra que explora aspectos muito íntimos orquestrados com uma produção afiada, fruto de sua experiência profissional em outro projetos anteriores.

Sob o nome de Viis, Diego teve uma experiência extremamente libertadora em Canções De Bad. Não que em outras bandas ele fosse criativamente contido de alguma forma, mas agora tudo diz respeito sobre ele e isto o dá a oportunidade de revisitar experiências e sentimentos com grande profundidade. O compositor manauara não reprime suas experiências frustrantes e/ou tristes, ele as celebra e faz questão de, não só olhá-las de frente, mas se envolver diretamente mais uma vez. É um trabalho duro, tanto para nós, que ouvimos estas sinceras composições, quando para Diego que escolhe voluntariamente reviver tudo isto. E ele não faz isso à toa, mas de forma praticamente terapêutica, denotando coragem em encarar isto por meio da expressão artística.

Mais Com o Coração nos saúda em nome das crianças do planeta Terra, como se Diego entendesse seu público ouvinte como extraterrestres prestes a entrar em um mundo hostil e desconhecido. Eu Me Sinto Uma Crianças Sem A Mãe é uma canção com melodia bastante Pop, o que pode estranhar o ouvinte que achou que escutaria mais melancolia, mas, novamente, este é um disco de celebração das angústias. Inocente trabalha linhas de piano e sintetizadores a favor da defesa de seus atos em uma separação, ainda que simpatize com a dor da pessoa querida. A Inevitável Morte Térmica do Universo é epifânica, no sentido de fazer Diego apelar à ciência e à definição de forças cosmogônicas para justificar sua dor e consequente resolução. Por fim, Ontem Eu Chorei Até Dormir é o último respiro do compositor em busca do auto entendimento, uma exaustiva canção que retrata a dor e árduo caminho que foi a produção do álbum.

Canções De Bad é um trabalho triste? Absolutamente, mas isso é algo ruim? Com certeza não. Estamos diante de um retrato sincero e realista da vida de qualquer ser humano. As texturas, timbres, letras e arranjos são a forma que Diego lida com o passado e, ao não fugir disso, Viis se torna uma experiência fantástica e fortalecedora. Um registro denso que providencia um aprendizado igualmente profundo.

(Canções De Bad em uma faixa: Ontem Eu Chorei Até Dormir)

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BOM PARA QUEM OUVE: Garbo, MASM, Perfume Genius
ARTISTA: Viis

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.