Resenhas

Villagers – {Awayland}

Segundo disco do grupo de Folk tem belas músicas, mas acaba decepcionando devido a sua falta de profundidade lírica

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Ano: 2013
Selo: Domino Records
# Faixas: 11
Estilos: Folk
Duração: 41:04
Nota: 3.0
Produção: Tommy McLaughlin

O Folk é um estilo que ao longo de sua história e popularidade manteve-se enraizado em um paradigma díficil de ser quebrado, o de que melodia e letras caminham sempre juntas, cada uma em algum momento servindo de argumento para outra. Vemos isso nos belos arranjos aliados a letras profundas de Bob Dylan, Nick Drake e Grizzly Bear por exemplo. Talvez devido ao seu teor sentimental, essa “receita de bolo” ainda se mostre relevante atualmente, algo que infelizmente não ocorre no segundo álbum do Villagers, {Awayland}.

Temos aqui um exemplo de consistência técnica em uma instrumentação bonita, mas que quando deparada com o teor de suas histórias contadas, acaba perdendo a relevância. Chega a ser um pouco decepcionante na verdade. Pegue por exemplo o bonito piano que introduz Nothing Arrived, que junto ao violão conduzem o ouvinte a um sorriso inocente e sincero. No entanto, vemos uma confusão nas letras que deixam a música com uma filosofia barata, fast-food e sem o menor sentimento. “I waited for something and something dies, so I waited for nothing and nothing arrives”. Independente de quaisquer metáforas que poderiam ser consideradas na letra, esperava-se muito mais do autor de um dos discos indicados ao Mercury Prize de 2010.

Em um pacote completo do bom Folk que o Villagers tem – voz baixa, quase que conversando com o ouvinte, sotaque irlandês e criatividade musical – a falta de profundidade em algumas letras chega ser frustrante. Irônicamente, o líder Conor O’Brien, acaba cantando ideais aos quais ele se opõe em Passing a Message. Em sua letra, O’Brien diz “ I learned how to listen to the folks on TV/ They are passing a message that means nothing to me”, suas palavras, assim como as dos apresentadores de TV, acabam não significando nada àqueles que o escutam.

Podemos sentir que Conor quer dizer alguma coisa, mesmo que sinceramente só através de seus instrumentos, mas que acaba se perdendo nas próprias idéias líricas, confusas e fracas. Assim como em Judgment Call em que diz “Its a judgment call, I don’t need no proof”, o ouvinte não precisa de nenhuma prova de que o Conor proclama não é verdadeiro, pode até ser mas não soa como tal.

Como uma relação puramente carnal entre duas pessoas, na superfície tudo se encaixa e se torna relevante, Villagers nos proporciona um disco cheio de boas músicas como as belas The Bell, Grateful Song ou The Waves. No entanto, ao tentar conhecer a pessoa e se deparar com as suas fragilidades, vemos que não conseguimos sair dessa beleza sem conteúdo, o que pode tanto frustrar alguns como não incomodar outros. Ao final, {Awayland} dependerá somente do julgamento do que é relevante para você quando se está em busca de um disco de Folk: letra, melodia ou um feliz casamento entre ambos.

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BOM PARA QUEM OUVE: Keaton Henson, Iron & Wine, Grizzly Bear
ARTISTA: Villagers
MARCADORES: Folk

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.