Vivendo do Ócio – O Pensamento é um Imã

Segundo disco da banda baiana traz muito mais que testosterona e álcool, com novas inspirações a banda dá o passo definitivo para criar uma identidade própria, soando mais madura sem perder sua melhor característica: A jovialidade

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Ano: 2012
Selo: Deck Disk
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 31:55
Nota: 3.5
Produção: Chuck Hipolito e Rafael Ramos
Livraria Cultura: 29307057

Desde 2008, com o demo de Teorias do Amor Moderno, que a Vivendo do Ócio se destacou pelo seu Rock, que era uma grande mistura de The Strokes, Arctic Monkeys e The Clash com aquele tempero baiano. Ainda naquela época, a banda tinha uma temática e energia bem adolescente, falando de problemas do amor e a bebedeira da vida boêmia.

Já em O Pensamento É Um Imã, o quarteto decide criar uma identidade própria e madura. Os resquícios das primeiras inspirações da banda podem ser notados, mas em uma dose menor que antes. Se percebe ainda pequenas doses do Clash, e de alguns dos temas recorrentes de sua adolescência. A banda também decide seguir uma trilha mais brasileira, que fica escancarada em O Mais Clichê, o grande baião do disco (e nada clichê).

Assumindo essas novas inspirações, o quarteto consegue fugir da mesmice e continuação dos seus dois primeiros trabalhos. A produção de Chuck Hipólito (VJ da MTV e guitarrista do Vespas Mandarinas) e Rafael Ramos (que já produziu Los Hermanos e Cachorro Grande) fez um ótimo trabalho com os garotos, que teve a mixagem do disco por conta do “Big Bass” Gardner (Queens Of The Stone Age, Foo Fighters). Certamente, esse amparo de peso ajudou no resultado final.

O Indie Rock cru e as limitações de outrora foram deixados de lado. O Pensamento É Um Imã é um passo adiante na carreira dos baianos,com um identidade mais forte por seu caráter mais expansivo e aberto a novas sonoridades. Pra quem gostava dos primeiros anos da banda, as duas músicas de abertura, Bomba Relógio e Silas, trazem ainda esse clima com riffs distorcidos e enérgicos, fazendo a transição perfeita entre essas duas fases.

Nostalgia traz uma versão interessante dos garotos. Além de trazer uma pequena participação do duo Agridoce, com Pitty nos vocais e Martin na guitarra, as saudades de sua terra natal e um poema no meio da música fazem dela uma das mais belas do disco. Autobiográfica e com guitarras delicadas, é a primeira faixa que consegue mostrar essa mudança.

Dois Mundos pega emprestado do Mombojó a vibe e estilo praianos. Radioatividade é o grande hit do disco, com uma bela apresentação das guitarras e o peso controlado, flertando com suas antigas e novas inspirações ao mesmo tempo. Por Um Punhado De Reais traz o clima de Indie Party, soando como o Sabonetes em alguns momentos, com seus baixos pulsantes.

As duas últimas faixas deixam a desejar: A amnésia alcoólica de Preciso Me Recuperar dá um passo atrás no novo rumo dos baianos e a recuperação das temáticas adolescentes perde um pouco do encanto que o disco vinha apresentando com a Lo-Fi sujinha Eu Gastei.

O Pensamento É Um Imã constrói uma nova e interessante fase do Vivendo do Ócio, mostrando o amadurecimento dos garotos que começaram bem crus. Bons produtores e novas inspirações fizeram bem para a banda e o disco aponta novas direções mais interessantes.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts