Resenhas

Wado – 1977

Oitavo disco do compositor mostra suas melhores qualidades enquanto poeta e músico

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Ano: 2015
Selo: Deckdisc
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop
Duração: 27:28
Nota: 4.0
Produção: Wado

A música é a melhor amigda de Wado. Em sua trajetória relativamente longa, o compositor alagoano sempre confiou às suas composições a tarefa de carregar seus sentimentos mais pessoais e uma sinceridade ímpar, de destaque entre os compositores da dita “nova cena brasileira”. Seu penúltimo registro, Vazio Tropical nos mostrou de uma forma muito delicada e verdadeira as articulações poéticas do compositor, sendo recebido muito bem pela crítica e considerado um dos melhores lançamentos de 2013. Com este novo trabalho, era difícil imaginar que Wado mudaria a relação que tem com as suas composições, o que de fato não ocorreu. Entretanto aqui fica registrado o enorme talento que Wado tem enquanto músico, no sentido mais completo da palavra.

Em 1977, disco batizado com o ano em que o músico alagoano nasceu, vemos que Wado consegue ter uma perspectiva muito ampliada de sua produção, não limitando suas composições a um estilo só, mas procurando encontrar novas maneiras de se relacionar com seu imaginário. Por isso, a impressão de que o disco é mais “Rock” do que os outros (principalmente o anterior a este). Wado busca referências mais agitadas, não que por isso o álbum ganhe uma perspectiva mais violenta, mas que faz com que uma dinâmica mais ativa seja o principal diferencial de músicas mais antigas. A primeira faixa já deixa isto bastante evidente com os primeiros acordes distorcidos em uma espécie mambo moderno, mostrando que 1977 será diferente de tudo o que você já escutou e sabia sobre Wado.

Embora 1977 mostre esta característica muito valiosa na obra de um músico (a inovação), Wado não se desprende de seu talento como excelente letrista e compositor, no sentido da tradução de seus sentimentos. Como o disco é batizado com o ano de nascimento de Wado, ele representa muito do que o compositor e neste sentido, o disco acaba sendo uma comprovação da complexidade “Wadoana”. Não que seus outros registros não mostrassem, mas aqui isso se sobrepõe sobre as diversas leituras. No geral, podemos traduzir 1977 como um manual para desvendar Wado ao invés de percecer suas percepções sobre o mundo. Ótimos momentos do disco incluem Menino Velho, a parceria com Zéca Baleiro Palavra Escondida e Um Lindo Dia de Sol que chama a atenção pela ótima produção e acréscimo de elementos da música mexicana.

Wado usa de seu talento para contar um história. A história de si próprio enquanto o melhor intérprete para seus sentimentos. Um registro que pode ficar perdido entre obras mais impactantes, mas que sem dúvida é um ótimo registro para se começar a curtir a obra do compositor alagoano.

Uma obra centrada em torno da individualidade de Wado em relação à “nova cena brasileira”

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BOM PARA QUEM OUVE: Hey Rosetta!, SILVA, Marcelo Camelo
ARTISTA: Wado

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.