Walter Martin – Arts & Leisure

Segundo disco do músico revela maturidade e uma despretensão benéfica

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Ano: 2016
Selo: Flottante Music
# Faixas: 11
Estilos: Folk, Singer-Songwriter
Nota: 3.5
Produção: Phill Ek

O hiato de The Walkmen não impediu Walter Martin de continuar criando. Originalmente baixista da banda, o músico tem explorado o lado mais raíz do Folk americano há quase dois anos, quando lançou seu primeiro trabalho solo We’re All Young Together, uma despretensiosa e divertida pintura de cenas cômicas que não chegava a prender a atenção do ouvinte. Hoje, podemos perceber que, embora produzido por Phill Ek, o gênio por trás dos discos da banda Fleet Foxes, parece que tudo era um ensaio cheio de acertos e erros em busca de uma sonoridade que pudesse satisfazer tanto Walter como seu público. As coisas começam a se organizar com o lançamento de Arts & Leisure.

Este segundo registro de Walter Martin nos esclarece algumas questões que ficaram abertas no trabalho anterior. Explorando o lado divertido e cômico, o músico continua a descobrir a maleabilidade do Folk, mas agora incorporado de uma maturidade mais desenvolvida. A grande lição que ele parece ter finalmente aprendido é que “divertido” não é sinônimo de simples. As canções deste trabalho são bem estruturadas e a produção, novamente assinada por Phill Ek, ganha pontos positivos por saber tirar de cada instrumento a essência necessária para construir uma identidade sólida e coesa. Mesmo nas faixas apenas com guitarra e vocal, vemos que eles não foram simplesmente gravados (fardo que muitos nomes do Folk ainda carregam consigo), mas estudados minuciosamente até tirar o som perfeito para este disco.

Há muito mais riqueza neste trabalho, seja pelos fraseados minimalistas de guitarra (Michelangelo), a ingenuidade das letras (Jobs I Had Before I Got Rick & Famous) e as divertidas harmonias vocais (Daniel In The Lions’ Den). Na verdade o grande trunfo de Arts & Leisure está nos elementos opostos que convivem em harmonia. O disco trata de temas bastante supérfluos, mas ao mesmo tempo, temos melodias pouco previsíveis que nos fazem querer decorar as canções assim que ouvimos. Você pode até não gostar do quão leviano Walter parece agir para com este disco, sugerindo até alguma preguiça, mas é preciso considerar a evolução sofrida neste período de dois anos e o quanto isto ainda pode contribuir para os futuros trabalhos do ex-The Walkmen.

Um disco que ilumina novos caminhos, bem como reflete sobre os erros do passado.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.