Resenhas

Wavves – Afraid Of Heights

Quarto disco do grupo liderado por Nathan Willians continua trazendo boas referências da Surf Music, mas será que ainda tem graça?

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Ano: 2013
Selo: Ghost Ramp, Mom + Pop, Warner Bros.
# Faixas: 13
Estilos: Surf Music, Garage Rock, Punk Rock
Duração: 42:00
Nota: 3.5
Produção: Nathan Willians

De tempos em tempos, estilos são retomados como parte de um processo de reciclagem e renovação de referências. Algumas bandas acabam surgindo enquanto outras pegam embalo no vácuo deixado. Wavves pode ser considerado um dos precursores da volta do Surf Music no meio Indie e, agora em seu quarto álbum, Afraid of Heights, tenta manter-se no topo após uma enxurrada de “surfistas” na música atual.

King of the Beach, disco de 2010, foi o auge do grupo liderado por Nathan Willians, que além de vocalista e guitarrista, é também namorado de Beth Cosentino do Best Coast. Nele, o líder alcançou uma criatividade ímpar em sua carreira e fez um dos melhores álbuns daquele ano. Apesar de não ser conhecido pelas mais interessantes letras, Nathan parece continuar não se importando muito com este fato e não pretende ser levado muito a sério neste quesito em Afraid of Heights, o que pode ser trunfo em alguns momentos e em outros não.

Se seu gosto é Punk Rock direto e de qualidade, todos com uma batida na bateria puxada pro Surf, aqui é o seu lugar. Willians tem ares de início de carreira de Billy Joel, antes de uma transformação megalomaniaca em seu Green Day. Faixas como Beat Me Up, Paranoid e Mystic são agressivas e rápidas o suficiente para transmitir uma boa energia e acelerar o ouvinte. O lado mais calmo da Surf Music fica a cargo de faixas acústicas, como a boa e viciante Dog e Demon to Lean On. No entanto, todas tem uma caractéristica em comum: a pobreza lírica.

Tudo bem, não queremos nenhuma poesia com rimas ricas ou uma tese em literatura moderna, mas faixas como Everything is My Fault chegam a parecer brincadeira. O título da música é repetido à exaustão e só. Tudo isso prejudica um pouco o andamento do disco, pois denuncia mazelas que poderiam ser contornadas caso Willians se esforçasse um pouco mais nas palavras. A repetição lírica acaba refletindo na própria estrutura musical, e quando você vê, estamos na quarta faixa da obra com os mesmos “Uuuuu” que The Drums cansou de fazer em sua carreira.

Voltando ao ponto, Nathan não quer ser levado a sério. Gimme a Knife, com letras do tipo “I loved you Jesus, You raped the world”, são claramente irônicas e descompromissadas – e por que o ouvinte não deveria pensar o mesmo sobre a música criada? Pelo simples fato do vocalista, apesar de não conseguir perder a piada, conseguir fazer boas canções que, mesmo não sendo muito inovadoras, são divertidas. Louge Forward me faz querer pegar um carro e dirigir em alto velocidade por aí, parar num bar e arranjar uma briga, enquanto I Can’t Dream me paralisa enquanto vejo o oceano se movimentar levemente.

Temos aqui elementos que todas as bandas desta “retomada” tentam trazer: a energia do Punk Rock como The Drums, as baladas à la Best Coast e o Garage Rock viajado do Surfer Blood. O trabalho não se torna melhor por justamente não explorar um pouco mais as letras e transformar toda essa combinação entre energia explosiva e lisergia em um leve enjoo e naúsea devido à repetição demostrada. Nada que impeça Nathan Willians de fazer um bom disco, com faixas espalhadas divertidas, mas que traz uma reflexão importante para o resto da carreira do Wavves. É melhor perder a piada que o amigo, ou ouvinte. Logo, um pouco mais de seriedade pode ser um remédio para que a criativadade de Willians não seja esquecida no futuro.

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BOM PARA QUEM OUVE: Surfer Blood, Best Coast, The Drums
ARTISTA: Wavves

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.