Resenhas

Wavves – V

Quinto disco da banda mostra-se divertido e pouco preocupado em mudar referências

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Ano: 2015
Selo: Warner Bros.
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Surf Rock, Garage Rock
Duração: 32:42
Nota: 3.0
Produção: Woody Jackson
Itunes: https://geo.itunes.apple.com/us/album//id1013224525?mt=1&app=music

É curioso pensar na expressão “Indie Rock adolescente”. Marcadas pela simplicidade dos acordes, temas inocentes e refrões chiclete, as bandas que incorporaram essa sonoridade mostram-se cada vez mais passageiras, fazendo jus à rápida e constante reposição de novos nomes que o Pop mainstream parece sempre possuir. Não entenda mal, muitas vezes temos registros bastante curiosos, mostrando que este conjuntos não parecem querer economizar na produção, lançando bons discos como Portamento, de The Drums. Porém, a questão fica sempre sobre o quão exaustiva e tediosa a repetição de conhecidas fórmulas pode ser para ouvintes, e até que ponto realmente vale a pena ficar fazendo a mesma coisa sempre. É dentro do campo desaas questões que Wavves insere-se e lança seu novo registro.

Sendo uma banda com cinco discos lançados até agora, mostrou-se durante seus anos de atividade bastante preocupada com mudanças sonoras, apelando para certas estéticas, mas tentando fazer discos diferentes entre si, sendo No Life For Me um dos melhores lançamentos do ano até então. Dessa forma, V não parece ir contra essa vontade, já que aqui temos uma velha predileção pelo Lo-Fi e Punk Rock e um desejo de explorar ainda mais os diferentes pontos que se inserem no campo delimitado por estes eixos, abusando sempre de guitarras submersas em reverbs, agressividade e vocais distantes e desleixados. Wavves parece estar certo das sensações que deseja passar para seu público e, embora repetida, é sempre interessante e bem feita, uma das principais razões pela qual ouvir um novo disco seu é sempre uma experiência pouco previsível.

V explora diferentes momentos do Surf e Garage Rock, cobrindo todas as áreas e extremidades deste grande quadrado Lo-Fi. Temos canções alegres e festivas (All The Same), bem como menos explosivas e comportadas (Fast Ice). Umas mais silenciosas (Pony) e outras bastante saturadas com riffs contagiantes (Flamezsz). São canções potentes, mas não parecem ter um ponto alto, sendo bastante tranquilo escuta-las, algo que não deveria ser a meta de uma banda que prega o Punk como sua maior influência. Não chega a ser algo penoso de se escutar, mas certamente não estamos ouvindo um trabalho que vai se mostrar extremamente relevante ao passar dos anos.

Assim, o quinto disco de Wavves vem como mais um episódio de uma tradição de registros que agradam e é isso aí. É louvável uma banda insistir na pesquisa sonora de um campo finito de possibilidades, mostrando a certeza que possuem de estar fazendo algo que gosta e que lhe dá prazer. Entretanto, ainda se mostra pífio e até mesmo massante escutar o trabalho de uma carreira artística relativamente extensa, que parece ter parado de buscar novas tentativas e perspectivas. Uma onda divertida e passageira.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Hives, The Vaccines, The Drums
ARTISTA: Wavves

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.