Resenhas

White Fence – Family Perfume Vol. 2

Mais um resgate à psicodelia sessentista em que Tim Presley parece pegar a sonoridade de muitos ícones da época para embalar suas letras melancólicas

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Ano: 2012
Selo: Woodsist
# Faixas: 15
Estilos: Folk Psicodélico, Lo-Fi, Rock Psicodélico, Pscodelia
Duração: 38:45
Nota: 3.5

Assim como Ty Segal e Ariel Pink, Tim Presley está profundamente ligado ao movimento de resgate ao som psicodélico dos anos 60. Tudo em seu trabalho remete a essa época, sejam as composições mistas de Rock e Folk ou a Psicodelia exacerbada em suas canções. O resgate e ambientação são tão grandes que Tim poderia ser facilmente confundido com qualquer artista daquela década, assim como seus discos.

Sob o nome de White Fence, ele se lançou em um projeto chamado Family Perfume, dividido em dois volumes e mostrando uma grande dicotomia. No primeiro, lançado em 2010, a pretensão era mostrar um Tim musicista, cheio de influências sessentistas e altas doses de lisergia em sua música, sendo o grande foco do disco os arranjos a própria psicodelia.

Em Family Perfume, Vol. 2 a ideia é mostrar seu outro lado, um letrista com muito a dizer e que sabe como o fazer. As letras parecem contar que as escolhas do passado voltaram para assombrar Presley que, cheio de remorso e arrependimento, faz um disco que de esperançoso não tem nada.

Toda essa melancolia pede arranjo e abordagem diferentes do primeiro álbum. Existe uma grande dose do Psych Folk, uma aura de Syd Barrett, um toque dos violões Lo-Fi do Ellith Smith e até uma pouco de George Harrison na fase pré-White Album. Logo de cara, já vemos duas dessas influencias em uma única canção, a faixa de abertura Groundskeeper Rag (Man’s Man), na qual as reverberações de Harrison e Smith se unem.

I’d Sing traz a impressão de estarmos ouvindo os primeiros trabalhos do Pink Floyd e, para continuar as comparações psicodélicas, Lizards First pode lembrar em alguns momentos a banda do Rei Lagarto com sua pegada de blues e seu teclado, sendo a grande diferença aqui – além da clara diferença de voz entre Morrisom e Tom – é a presença do baixo. O disco parece comprimir em 40 minutos as quinze canções que remetem a ícones diferentes dos anos 60. “Rock and Roll Forever”, verso tirado de King Of The Decade, última canção, parece conseguir definir toda a vibe do álbum e pretensão de Tim ao cria-lo.

Pode soar não muito acessível, mas quando se dá o play neste disco, se descobre que todas estas influências estão diluídas em melodias Pop e que acabam se tornado acessíveis. Ou seja, quem estiver preparado pra esse tipo de som vai amar, já quem torce o nariz para o que a princípio parece estranho pode não acha-lo tão amigável assim.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts