Resenhas

Whitney – Candid

Algo como um trabalho de curadoria, novo trabalho do duo mostra influências e inspirações a partir de releituras – que, às vezes, soam bem fiéis às composições originais

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Ano: 2020
Selo: Secretly Canadian
# Faixas: 10
Estilos: Soft Rock, Folk Rock
Duração: 33'

Talvez Candid seja mais um trabalho de curadoria do que qualquer outra coisa. Para seu terceiro álbum, o duo Whitney traz um registro repleto de covers que mostram bastante de suas influências e inspirações em versões e releituras – as quais, muitas vezes, soam bem fiéis às originais. Depois do lançamento de Forever Turned Around (2019), de recepção mista entre público e crítica, eles retornam aos holofotes, aparentemente, para rebater essa luz a artistas que o inspiraram.

O disco diz muito sobre a banda, mas pouco a respeito de seu futuro. Não me entenda mal: as versões são belíssimas e o repertório é afiado, mas soa como uma obra sem propósito. Como se o duo enfrentasse um bloqueio criativo, mas tivesse que soltar um trabalho por imposição da gravadora.

Dito isso, volto a afirmar sobre a beleza das versões presentes na obra. Um dos grandes atributos da banda é conseguir criar músicas que se amparam num misto de Soft Rock e Folk Rock de maneira bem elegante, com uma instrumentação simples, mas eficaz e envolvente. E é o que acontece aqui em cada uma das 10 faixas. Mesmo versões menos inspiradas, como “Hammond Song”, por exemplo, acabam seguindo esse “guia Whitney” de composição e se tornando algo interessante aos ouvidos.

Entre os artistas escolhidos para ganhar a homenagem nessa “playlist de luxo” estão nomes como Kelela (em “Bank Head”), Blaze Foley (“Rainbows and Ridges”), Damien Jurado (“A.M. AM”) e até mesmo uma parceria entre Brian Eno e David Byrne (“Strange Overtones”). Katie Crutchfield, do Waxahatchee, faz um belo dueto com o falsete de Julien Ehrlich, em “Take Me Home, Country Roads”, originalmente gravada por John Denver.

Talvez o que fique de mais interessante aos ouvintes de Candid seja o contato com essas composições e uma possível curiosidade para ouvir as originais e descobrir a obra desses artistas. Caso, por exemplo, do obscuro artista londrino Labi Siffre (de “Crying, Laughing, Loving, Lying”), que em sua obra discute temas como homofobia (em pleno anos 1970) e brinca com o Folk e R&B. E isso já é um ponto dos mais positivos para o lançamento.

(Candid em uma faixa: “Take Me Home, Country Roads”)

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ARTISTA: Whitney

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts